A ativista venceu a primeira edição do prémio Gulbenkian para a Humanidade, no valor de um milhão de euros, que disse já que vão ser aplicados no combate às alterações climáticas.

Da greve às aulas, que decidiu iniciar sozinha para protestar frente ao parlamento sueco, depois das ondas de calor e incêndios que assolaram o país, em 2018, a adolescente despertou consciências e inspirou ações em vários países, num percurso que a levou a encabeçar manifestações com milhares de pessoas, mas também à capa da revista Time em 2019 ou a discursar em grandes centros de poder.

Filha de uma cantora de ópera e de um ator, Greta Thunberg tem já editados os discursos com que tem enfrentado vários públicos, na rua ou nas sedes de poder, embora Greta Thunberg avise que os jovens não querem tirar “selfies” com os políticos, mas medidas em defesa do planeta.

Começou por pedir ao parlamento sueco que reduzisse as emissões de carbono, no âmbito do Acordo de Paris, e sentava-se então todos os dias frente àquela câmara, durante o horário escolar. Em agosto de 2018 havia decidido não voltar às aulas até às eleições gerais na Suécia, em setembro.

A ação da ativista, nascida em Estocolmo, organizou os jovens da sua geração e transformou-se num movimento à escala global, que realiza habitualmente greve às aulas nas sextas-feiras, além de manifestações e vigílias, a que têm aderido pais e professores.

Na entrevista à Time, publicada no ano passado, Thunberg fala da síndrome de Asperger que lhe foi diagnosticada e da forma como decidiu usar a diferença: “Vejo as coisas de uma forma um pouco diferente das outras pessoas, mais a preto e branco. As alterações climáticas são preto e branco”.

Quando crescer, afirma, quer poder olhar para trás e dizer que fez tudo o que podia.

Para Greta Thunberg, é importante o movimento contra as alterações climáticas ser liderado pelos jovens, pois são os principais atingidos pela crise climática, cujas causas atribui sobretudo aos Estados e grandes empresas.

“Começámos agora a limpar a vossa confusão e não vamos parar até termos terminado”, disse num discurso proferido em Bruxelas no ano passado.

Aos 17 anos, a popularidade surpreendeu-a, mas conhece bem os relatórios das organizações internacionais sobre o clima, cujas cifras usa com precisão para ilustrar o discurso em defesa da causa que está a liderar.

“Se pensam que devíamos estar na escola, então tomem o nosso lugar nas ruas, fazendo greve no vosso trabalho”. Assim desafiou os críticos da atuação dos estudantes.

O movimento que iniciou levou também a convites para discursar nas Nações Unidas, no Fórum Económico e Social em Davos, na Suíça, ou no Parlamento Europeu e até se encontrou com o Papa Francisco, que a incentivou a continuar o protesto.

A Time garantia no ano passado que o mundo está a ouvir o apelo de Greta Thunberg e citava estimativas dos organizadores de acordo com as quais 1,6 milhões de pessoas terão saído à rua em 15 de março do ano passado, em 133 países, no âmbito da greve climática inspirada pela ambientalista sueca.

Greta Thunberg foi ainda indicada para o Prémio Nobel da Paz por três deputados noruegueses.

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