"As motivações da marcha estão diretamente relacionados com o facto de o Ministério da Saúde ter, unilateralmente, desistido das negociações, pelo que se deixou de discutir o caderno reivindicativo", disse hoje à agência Lusa o presidente do Sindicato dos Médicos Angolanos, Armando Manuel.

A melhoria das condições laborais, o aumento salarial ou o pagamento de subsídios de risco são algumas das reivindicações que constam no caderno reivindicativo entregue ao Ministério da Saúde em agosto de 2018.

Segundo o sindicalista, o "burocrático concurso público” de ingresso de novos médicos para o setor da Saúde é outra das motivações da marcha de protesto, porque, observou, "o país tem exiguidade desses profissionais e é necessário que as autoridades agilizem o processo".

"E é preciso lembrar que o país tem muitos médicos desempregados", apontou.

Ainda segundo Adriano Manuel, o Ministério da Saúde angolano tem disponíveis para o concurso público, iniciado em 2018, cerca de 1.500 vagas, mas apenas 1.300 fizeram o concurso público.

"O que quer dizer que não se justifica esses profissionais não entrarem. Não se pode exigir muito, quando ainda não estiverem em pleno exercício de suas funções. Pensamos que o exame que foi feito não avalia as competências médicas porque 50% das questões foram de cultura geral", concluiu.