Segundo o estudo publicado na revista científica “The Lancet” a existência de doenças subjacentes, como tensão alta ou diabetes, e o uso prolongado de ventilação não invasiva também foram fatores importantes na morte dos 54 pacientes analisados.

Os investigadores analisaram a evolução da doença em 191 pacientes com idades superiores a 18 anos, em dois hospitais na cidade chinesa de Wuhan, onde foram confirmados os primeiros casos do novo coronavírus. Desses, 137 pacientes tiveram alta e 57 acabaram por morrer.

Recomendações da DGS

A DGS acompanha a situação da expansão do novo coronavírus e recomenda:

  • Em Portugal, caso apresente sintomas de doença respiratória e tenha viajado de uma área afetada pelo novo coronavírus, as autoridades aconselham a que contacte a Saúde 24 (808 24 24 24). Caso se dirija a uma unidade de saúde deve informar de imediato o segurança ou o administrativo.
  • Evitar o contacto próximo com pessoas que sofram de infeções respiratórias agudas; evitar o contacto próximo com quem tem febre ou tosse;
  • Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contacto direto com pessoas doentes, com detergente, sabão ou soluções à base de álcool;
  • Lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir;
  • Evitar o contacto direito com animais vivos em mercados de áreas afetadas por surtos;
  • Adotar medidas de etiqueta respiratória: tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo);
  • Evitar o consumo de produtos de animais crus, sobretudo carne e ovos;
  • Seguir as recomendações das autoridades de saúde do país onde se encontra.

Os pacientes que tiveram alta eram, em média, mais novos em comparação com os doentes que morreram (52 e 69 anos, respetivamente), uma diferença que, segundo um dos autores, pode justificar-se com a existência de problemas de saúde subjacentes associados à idade.

“Os piores resultados nos idosos podem dever-se, em parte, à fraqueza do sistema imunitário e ao aumento da inflamação associados à idade, que podem promover a replicação viral e respostas mais prolongadas à inflamação, causando danos duradouros no coração, cérebro e outros órgãos”, explica o investigador e médico no Hospital Jinyintan em Wuhan, Zhibo Liu.

Segundo os autores, este é o primeiro estudo que analisa os fatores de risco associados a doenças graves em pacientes que morreram ou receberam alta depois de estarem hospitalizados com o novo coronavírus, permitindo uma mais fácil identificação dos pacientes com prognóstico mais reservado no início do internamento.

A investigação permitiu também analisar a duração do período de excreção viral, ou seja, do período de transmissão do vírus que, segundo as conclusões, foi mais prolongado do que os autores antecipavam.

De acordo com os resultados, a duração média do período transmissão do vírus, diferente do período de incubação, foi de 20 dias nos pacientes que sobreviveram. Nos restantes 57 casos, o vírus foi detetável até à morte dos pacientes.

“O tempo de excreção viral não deve ser confundido com outra orientação de isolamento voluntário para pessoas que possam ter estado expostas ao COVID-19, mas não tenham sintomas, uma vez que essa orientação se baseia no tempo de incubação do vírus”, explica outro dos autores, Bin Cao, professor na Universidade Capital Medical e médico no hospital China-Japan Friendship.

A transmissibilidade do vírus é, porém, influenciada pela gravidade da doença e, por isso, os autores ressalvam que estes dados podem não se aplicar a todos os doentes, uma vez que dois terços dos sujeitos da análise estavam em estado grave ou crítico, alertando também que a dimensão da amostra pode limitar a interpretação dos resultados.

A investigação permitiu também avaliar a duração de alguns dos sintomas da doença, como a febre (em média, 12 dias), as dificuldades respiratórias (cerca de 13 dias nos casos sobreviventes) e a tosse, que ainda afetava 45% dos pacientes quando estes tiveram alta hospitalar. No caso das mortes, a tosse e as dificuldades respiratórias mantiveram-se até ao fim.

Pessoas infetadas podem estar sem sintomas durante cinco dias

As pessoas infetadas com o novo coronavírus podem estar cinco dias sem sintomas, que na maioria dos casos acabam por surgir no espaço de 12 dias após a infeção, segundo um estudo hoje divulgado.

Investigadores da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, nos Estados Unidos, analisaram notícias, relatórios de saúde pública e comunicados de imprensa de 50 províncias, regiões e países fora da cidade chinesa de Wuhan, epicentro da doença, para estimar a duração do período de incubação, o tempo da exposição e o início de sintomas do SARS-CoV-2, o vírus que causa a doença COVID-19.

Os investigadores encontraram informações sobre 181 casos confirmados com exposição identificável e informação sobre início de sintomas.

Com base nos dados disponíveis, foi estimado que o período mediano de incubação da COVID-19 é de 5,1 dias e que 97,5% dos doentes terão desenvolvido sintomas no prazo de 11,5 dias após a infeção.

“Estas estimativas implicam que, com pressupostos conservadores, 101 em cada 10.000 casos desenvolverão sintomas durante 14 dias de monitorização ativa ou quarentena, o que apoia as recomendações atuais” dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) para monitorizar ativamente os pacientes durante 14 dias após exposição assumida ao novo coronavírus, refere o estudo publicado hoje na revista Annals of Internal Medicine.

Os autores alertam que, dadas provas recentes de transmissão do coronavírus por infetados ligeiramente sintomáticos e assintomáticos, o tempo da exposição ao aparecimento de infecciosidade (período latente) pode ser mais curto do que o período estimado de incubação, com significativas implicações para transmissão dinâmica.

Em dezembro de 2019, um conjunto de casos graves de pneumonia de etiologia desconhecida foi relatado em Wuhan, província de Hubei, na China.

Estes casos foram logo atribuídos a uma nova estirpe de coronavírus pertencente à mesma família do vírus que causa a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), a Síndrome Respiratória do Médio Oriente e os quatro coronavírus humanos associados à constipação comum.

A infeção com o vírus SARS-CoV-2 pode ser assintomática ou resultar em pneumonia leve a grave.

Os investigadores lembram que a compreensão atual do período de incubação para COVID-19 é limitada.

A epidemia de COVID-19 foi detetada em dezembro, na China, e já provocou mais de 3.900 mortos.

Cerca de 113 mil pessoas foram infetadas em mais de uma centena de países, e mais de 62 mil recuperaram.

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