Beber, três vezes por dia, chocolate quente confecionado com cacau, um ingrediente alimentais rico em polifenóis e flavonoides, substâncias antioxidantes, reduz as dores e melhora os movimentos de quem sofre de doença arterial periférica, uma patologia de natureza obstrutiva do lúmen arterial que afeta o fluxo sanguíneo nos tecidos. A tese é defendida por um novo estudo-piloto levado a cabo por investigadores da Northwestern Medicine, uma organização norte-americana que reúne médicos e cientistas.

"O grau de melhoria foi significativo e relevante", garante a coordenadora da investigação, Mary McDermott, médica e professora de medicina na Northwestern University Feinberg School of Medicine, em Chicago, no Ilinóis. "Neste estudo, os benefícios do chocolate podem ser comparáveis aos do exercício físico", garante a especialista. Este estudo-piloto, divulgado pela publicação especializada Circulation Research no primeiro trimestre, foi feito com uma amostra de 44 voluntários, pelo que terá de ser desenvolvido um ensaio clínico mais abrangente para confirmar os resultados agora apurados. Mas uma coisa é certa.

Os participantes com mais de 60 anos que ingeriram uma bebida de chocolate quente três vezes por dia, durante seis meses, conseguiram andar mais 42,6 metros, num teste de seis minutos, do que os que não o fizeram. As vantagens deste preparado alimentar não se ficam, no entanto, por aqui, como confirmou outra investigação levada a cabo nos Estados Unidos da América. O consumo de duas chávenas diárias de chocolate quente pode contribuir para a prevenção do declínio da memória em pessoas idosas.

Esta bebida ajuda a preservar o fluxo sanguíneo em algumas áreas do cérebro, sugere um estudo da Harvard Medical School, em Boston, no Massachusetts, realizado em 2013. Durante 30 dias, 60 pessoas com uma média de 73 anos ingeriram duas chávenas de chocolate quente por dia. Metade dos voluntários que integravam a amostra que estava a ser monitorizada bebeu chocolate rico em flavonol, um antioxidante naturalmente presente no cacau. Nenhum participante ingeriu outros produtos com chocolate.

As capacidades de memória e de raciocínio antes e após a realização de testes mentais, assim como o acoplamento neurovascular, a resposta do fluxo sanguíneo à atividade cerebral, foram medidos com equipamentos de ultrassom. No início, 18 participantes tinham acoplamento neurovascular debilitado enquanto que, no final, este tinha melhorado em 8,3%. "Há areas do cérebro que necessitam de mais energia para desenvolver as suas tarefas", justifica Farzaneh Aghdassi Sorond, autor do estudo.

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