A informação foi hoje avançada à agência Lusa pelo presidente do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola, Adriano Manuel, que classificou o silêncio do Ministério da Saúde como uma "falta de respeito e de consideração" à instituição.

A 06 de Agosto último, a instituição sindical apresentou um caderno reivindicativo, de 15 pontos, em que exige essencialmente aumentos salariais e melhoria das condições de trabalho, mas até agora não recebeu qualquer resposta.

"Ouvimos nos órgãos de comunicação social que eles irão, nos próximos 20 dias, dizer-nos alguma coisa. Ouvimos na comunicação social, mas não nos foi dito nada. Não recebemos até hoje nenhum documento", referiu.

Segundo Adriano Manuel, o sindicato continua a fazer o seu trabalho de mobilização dos médicos um pouco por todo o país.

"Temos estado a viajar pelas províncias com o objectivo de mobilizar os médicos para uma atitude que poderá ser mais coerciva, se, eventualmente, até esta altura, [as autoridades angolanas] não disserem nada", avisou.

Para sábado, está agendada uma reunião com os representantes dos hospitais de Luanda, na qual será decidido o dia para a realização da assembleia de trabalhadores.

Adriano Manuel frisou que, de lá para cá, a situação dos hospitais "não mudou absolutamente nada", à excepção de algumas unidades, como os hospitais municipais do Cazenga e da Samba, que começaram a ser equipados essencialmente com material de laboratório.

O sindicalista sublinhou que são apenas "alguns hospitais em Luanda" e alertou que o problema é de "âmbito nacional, uma vez que "a grande maioria não tem material".

Contudo, o silêncio do Ministério da Saúde, frisou Adriano Manuel, não inibe o sindicato de continuar a sua luta, salientando que estão abertos ao diálogo.

"Tão logo o ministério encontrar formas de resolver o problema, de abordar-nos, nós vamo-nos sentar. É claro que vamos usar todos os mecanismos legais que estão ao nosso alcance para fazer sentir a voz do sindicato dos médicos", salientou.

A realização de uma greve não está descartada, acrescentou, salientando, porém, que "tudo passa pelo diálogo".

"Se não se está a dialogar, subentende-se que não se está a dar importância às reivindicações dos médicos. Esse vai ser, provavelmente, o próximo passo. É que não teremos mesmo outro caminho senão este", disse.

O ingresso de mais médicos, o aumento salarial e a melhoria das condições de trabalho são as principais reivindicações dos médicos.