Ao falar sobre os procedimentos de tratamento dos doentes graves e críticos, durante a habitual sessão da actualização de dados da Covid-19 em Angola, o médico avançou que país poderá registrar uma alta taxa de infecção caso a população “não cumpra rigorosamente as medidas de distanciamento e isolamento social, bem como o uso correcto da máscara facial, higienização das mãos e desinfecção das superfícies.

Apesar do país registrar uma recuperação de mais de metade do total de casos positivos, o também coordenador do grupo técnico nacional para elaboração das normas clínicas e tratamento da Covid-19 lembrou que a doença “não dá imunidade às pessoas”, o que pode resultar numa nova vaga ou infecção, deixando várias sequelas aos infectados, se não forem cumpridas as medidas preventivas.

Diante desse cenário, Fortunato Silva considera importante que as pessoas conheçam e estejam suficientemente informadas sobre a doença, por causa do alto grau de transmissão e uma alta taxa de letalidade, principalmente para os doentes de risco (hipertensos, diabéticos e obesos, entre outros).

Para manter as pessoas informadas, o ainda docente de medicina interna da Universidade Agostinho Neto considerou fundamental a acção dos meios de comunicação social em levar informações fidedignas à população, evitando as falsas notícias que podem gerar o pânico no seio das famílias.

Para tal, apelou ao engajamento de todos os cidadãos na prevenção e no combate da Covid-19, observando rigorosamente as medidas de biossegurança, com vista a cortar a cadeia de  transmissão do vírus no país.

“A doença ainda não tem cura nem vacina. Também o vírus é invisível, mas não é imortal. Conseguimos eliminá-lo rapidamente com o cumprimento das medidas de prevenção e o uso do hipoclorito de sódio e álcool de 70%”, sublinhou.

Doentes graves e críticos de Covid-19

De acordo com Furtunato Silva, o doente grave manifesta uma infecção pulmonar, que, habitualmente, surge no período de uma semana após o início dos sintomas, podendo durar entre três a seis semanas a possível recuperação do respectivo infectado.

Em geral, os doentes nessa condição constituem 15 por cento do total dos infectados.

Enquanto isso, avançou, o doente crítico tem manifestações clínicas de uma pneumonia grave, com extrema dificuldade respiratória, défice de oxigenação no sangue, síndrome de resposta inflamatória agúda, assim como apresenta disfunção cardíaca e insuficiência renal, entre outros órgãos do ser humano.

Habitualmente, o número de doentes críticos constitui cinco por cento do total de infectados. Esses doentes devem ser internados imediatamente nos centros de tratamento da Covid-19.

Fortunato Silva referiu ainda que os doentes com insuficiência respiratória aguda ou com necessidade de entubação e ventilação mecânica devem ser internados nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI).

Reiterou que “não existe tratamento eficaz para a Covid-19”, apontando o cumprimento obrigatório das medidas de prevenção individual e colectiva como a melhor forma de evitar a doença que já provocou 75 mortes no país.

Conforme o especialista, o período médio de incubação do vírus é de cinco dias, sendo que depois deste período começam os sintomas clínicos da doença.

Apontou a febre alta, tosse seca e dificuldade respiratória como os sintomas clínicos mais frequentes das pessoas infectadas pela Covid-19.

Segundo o médico, quando o indivíduo começa com dificuldade respiratória e opressão no peito é sinal da presença de uma pneumonia e deve contactar, imediatamente, o Serviço Nacional de Saúde para o devido tratamento.

A manifestação clínica da Covid-19, transmitida através de gotículas libertadas de espirro ou tosse de pessoas infectadas, assim como do contacto com as superfícies contaminadas, varia entre dois a 14 dias.

Com o diagnóstico do novo recorde de 100 casos, cinco mortes e três recuperados, nas últimas 24 horas, o quadro epidemiológico de Angola soma um total de mil e 672 infectados, dos quais 567 recuperados, 75 óbitos e 1.030 activos.

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