A doença mental pode manifestar-se de modo que tarefas muito simples adquiram uma dificuldade concreta o que provoca alterações na dinâmica familiar. Se pensarmos numa mãe ou num pai que sofre de depressão e decorrente da perturbação tem sintomas de apatia, tristeza acentuada, falta de iniciativa, leva-nos a refletir como serão as rotinas familiares. A doença compromete necessariamente as competências de educar, cuidar, fazer face a necessidades afetivas da criança ou do adolescente.

As crianças e os adolescentes filhos de pais com doença mental têm maior probabilidade de desenvolverem problemas cognitivos, comportamentais e emocionais. O desempenho escolar fica muitas vezes comprometido e as suas relações sociais também podem sofrer desequilíbrios, como por exemplo, isolamento social, baixas competências interpessoais.

A perturbação mental do pai ou da mãe pode ter curta duração, não havendo consequências graves para os filhos, mas ocorrem determinadas situações em que a doença mental acarreta um período mais longo ou permanente na construção familiar, advindo complicações para o adequado equilíbrio de todos os membros da família. É comum encontrarmos crianças deprimidas, desafiantes, opositoras, com défice de atenção, baixa auto estima, agressividade, alterações de comportamento, ansiedade e comportamentos suicidas. Com mais idade é frequente a inversão de papéis, ou seja, a criança ou o adolescente ser o cuidador da mãe ou do pai ou mesmo de um irmão mais novo.

É possível destacar algumas perturbações com especial impacto na relação entre pais e filhos: a dependência alcoólica ou de outras drogas, a depressão grave, a esquizofrenia, as perturbações de personalidade ou a doença bipolar.

Segundo Joseph, Joshi, Lewin e Abrams num estudo intitulado As necessidades e as perceções de mães com doença mental (internadas pela primeira vez com filhos na infância) todas as mães relataram que foi fundamental continuarem a cuidar das suas crianças, mesmo quando estavam em tratamento. Este estudo indica que todas as mães com doença mental querem ajuda para enfrentar a doença e as várias perdas decorrentes dessa situação, bem como relacionar-se com os seus filhos de modo saudável.

Para refletir:

- Porque é que no acompanhamento de um adulto com perturbação mental envolvemos muitas vezes o cônjuge, mas raramente os seus filhos, que são consideravelmente uma população com grande probabilidade de desenvolver uma perturbação mental?

- O envolvimento de toda a família na consulta psicoterapêutica permite ao psicólogo realizar uma avaliação precoce da situação das crianças e dos adolescentes e possibilitar o devido encaminhamento para um profissional da área caso necessário.

- Algumas situações de extremo risco para as crianças e adolescentes podem levar a uma tomada de decisão de separar temporariamente a criança ou o adolescente do pai ou da mãe até que a perturbação mental esteja estabilizada.

- A compreensão da criança ou do adolescente acerca da problemática do seu progenitor, sempre com muita atenção ao seu nível de desenvolvimento pode garantir o seu ajustamento psicológico. Paralelamente, devemos fomentar outras relações que possam ser fonte de tranquilidade, serenidade e afetividade.

Sandra Helena

Psicóloga clinica e psicoterapeuta infantojuvenil

Psinove – Inovamos a Psicologia

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