"A medicina tradicional entrou no país pouco depois da independência, mas era muito pouco difundida. Foi a assinatura de um memorando com o Parque [Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa] que permitiu massificar a acupuntura e todas as técnicas (...) no hospital central de Maputo", disse Marlene Tovele, médica moçambicana.

Marlene Tovele referia-se ao Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa na ilha da Montanha, adjacente a Macau, que assinou com o Governo moçambicano, em 2016, um memorando para promover o intercâmbio e a cooperação dos dois países naquela área.

Desde então, o Parque já realizou vários cursos de formação profissional de técnicas de medicina chinesa para médicos e fisioterapeutas do sistema de hospitais públicos moçambicano.

"O Parque faz os contactos com Portugal, com o Governo da China e com especialistas cá de Macau", de forma a garantir formadores em Moçambique", disse a médica, adiantando que as "formações consecutivas" já chegaram a muitos hospitais públicos.

A própria Marlene Tovele foi formada pelo Instituto de Medicina Tradicional (IMT) português, presente no Fórum.

A situação é diferente em Cabo Verde, onde a medicina tradicional não é reconhecida pelas autoridades sanitárias. No entanto, José Carlos Carvalho, farmacêutico e representante do Ministério da Saúde e da Segurança Social do país, acredita em mudanças num "futuro não muito distante".

"Participamos desde 2016 nos fóruns, em setembro tivemos formação em Moçambique, gostamos muito da formação e estamos muito interessados nesta área", disse à Lusa.

Neste sentido, classifica Macau como uma "plataforma de extrema importância", pois é a partir do Governo do território que se realizam "intercâmbios, fóruns e colóquios", acrescentou.

Para José Carlos Carvalho, são estes fóruns que podem exercer pressão sobre o Governo cabo-verdiano e incentivá-lo a desenvolver "este tipo de medicina que, com a sua visão mais ampla, olha para o paciente e não para a doença", concluiu.

Por outro lado, a médica moçambicana destaca as vantagens do Parque "para todos os países lusófonos", já que "a cultura chinesa é rica, envolve metodologias de tratamento diferentes das habituais" e permite "melhorar a perspetiva de vida das pessoas".

Em 2016, o comité central do Partido Comunista Chinês (PCC) e o Conselho de Estado lançaram um plano estratégico de saúde de longo prazo (2016-2030), alicerçado em torno da medicina tradicional chinesa, numa estratégia que dá igual relevo ao desenvolvimento da medicina tradicional da medicina ocidental.

O Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa na ilha da Montanha promove a cooperação na área com os países lusófonos, no âmbito da iniciativa "Uma Faixa, Uma Rota", lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping, em 2013.

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