Apesar de, por estes dias, não faltar informação sobre o assunto, do que vamos conversando com familiares e amigos, subsistem alguns equívocos com aspetos que podem ser relevantes no combate que estamos a viver. Para o vencer, devemos apoiarmo-nos em informação fidedigna e atacar os pontos fracos do adversário. Assim, deixamos aqui alguns comentários que podem contribuir para mudar o curso da situação mais rapidamente. Ah, e que não nos falte ânimo até que termine a contenda!

Contágio

O vírus identificado como responsável pela COVID-19, é o SARS-CoV-2 e tem como porta de entrada a boca, o nariz e, embora seja menos provável, os olhos. Pode chegar aí através das nossas mãos, por contacto prévio com superfícies contaminadas ou porque alguém, ao tossir ou espirrar, nos enviou gotículas contaminadas através do ar. Pode ainda ser transmitido pelo contacto com fezes contaminadas com o vírus.

Este agente infecioso pode permanecer desde horas a dias nas superfícies, consoante o tipo de materiais. Indivíduos infetados que não apresentem sintomas podem transmiti-lo de forma silenciosa e eficaz.

As baixas temperaturas e os ambientes fechados facilitam a transmissão.

Prevenção

Adote medidas de distanciamento social e etiqueta respiratória (se tossir ou espirrar, use o cotovelo; ao assoar-se use um lenço descartável e coloque-o no lixo).

A lavagem frequente das mãos e da roupa com detergentes inativa o vírus. Se o fizermos, estamos a reduzir a possibilidade de transmissão.

Ao entrar num espaço onde se suspeita da presença do vírus, devemos abrir portas e janelas e desinfetar as superfícies e objetos com que vamos contactar com produto adequado (álcool ou lixívia ou outros comprovadamente eficazes).

A maior parte das máscaras (sem filtros), protege, sobretudo, quem está à nossa volta, mas não deixa de ser importante neste cenário.

Nesta fase, deve evitar deslocar-se ao centro de saúde ou ao hospital, a não ser em caso de doença aguda ou descompensação de doença crónica. Evite também deslocações desnecessárias e, quando for inevitável sair de casa, evite o contacto com outros indivíduos. Evita assim possíveis contágios.

No plano nutricional, sabe-se que uma alimentação equilibrada contribui, de um modo geral, para um sistema imunitário otimizado.

É fundamental que seja respeitado o estado de emergência bem como todas as indicações da direção geral de saúde para diminuirmos o número de infetados, mortos e a duração da pandemia.

Sintomas típicos e grupos de risco

Febre, tosse seca e/ou falta de ar. 

A faixa etária mais afetada situa-se atualmente entre os 30 e os 69 anos. Por outro lado, genericamente, a doença é mais grave após os 70 anos, assim como em doentes com patologias crónicas tais como a diabetes e a hipertensão, sobretudo quando está presente um mau controlo da doença.

De entre outros grupos de risco para maior gravidade da doença, salientam-se: crianças até 2 anos de idade, grávidas, portadores de insuficiência cardíaca, doença respiratória crónica, doença hepática crónica, doença renal crónica doença oncológica e imunodeprimidos.

Teste laboratorial

Todos os casos suspeitos de infeção pelo Novo Coronavírus (SARS-CoV-2) devem ser submetidos a diagnóstico laboratorial. Este teste é realizado recorrendo a uma técnica de PCR (reação de polimerase em cadeia), cujo objetivo é detetar a presença do material genético do vírus.

Existem na realidade dois testes que se podem realizar: um teste de "rastreio" que permite detetar um grupo de vírus, onde se incluem, para além do SARS-CoV-2, outras estirpes menos perigosas para o ser humano (todos eles pertencentes ao sub-género Sarbecovirus) e um teste “confirmatório” que deteta especificamente o SARS-CoV-2.

Os dois testes positivos confirmam, sem margem para dúvidas, um indivíduo infetado com SARS-CoV-2.

Em áreas onde existe transmissão comunitária ativa de COVID-19, a deteção pelo teste de rastreio, é por norma, considerada suficiente.

Por outro lado, uma colheita que contenha apenas uma pequena quantidade de material genético do grupo dos coronavírus, poderá revelar-se inconclusiva. Nesses casos, deve realizar-se o teste confirmatório. Este terá sido o caso do conhecido treinador de futebol Jorge Jesus, cujo resultado foi classificado como “positivo fraco”, o qual acabou por revelar-se, após o teste confirmatório, como resultado negativo.

O teste tem uma sensibilidade de aproximadamente 70%, o que quer dizer que em cada 100 pessoas infetadas que fazem o teste, estima-se que cerca de 30 vão ter um resultado negativo, sobretudo na fase inicial da doença, sendo isso um argumento a favor de não testar todos os indivíduos, sobretudo os assintomáticos. Por outro lado, o teste é dispendioso e a sua colheita obriga a uma grande logística para evitar que o profissional que realize a colheita não se contamine. O teste carece, entretanto, de ser enviado para um laboratório, o que exige cuidados excecionais no seu acondicionamento.

Mais importante que o teste são, no entanto, as medidas para tentar travar a cadeia de transmissão, e aí sim todos podemos fazer muita coisa.

Imunização e tratamento

Estima-se que uma vacina demorará vários meses a ser desenvolvida, mas, entretanto, temos alguns fármacos que parecem ser eficazes.

Cerca de 80% dos infetados terão, provavelmente, uma doença ligeira a moderada, necessitando apenas do reforço da ingestão de líquidos e de tratamento sintomático. Doentes crónicos que façam tratamento habitual com corticoides ou imunossupressores, não o devem suspender sem conselho medico prévio.

As explicações são de Fernando Queirós e David Nóbrega, médicos internos de Medicina Geral e Familiar.

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