Cientistas chineses que analisaram o esperma de homens com COVID-19 descobriram traços do novo coronavírus no líquido semiótico de uma minoria dos participantes, colocando a hipótese de a doença poder ser transmitida por via sexual.

O estudo realizado por médicos do hospital de Shangqiu, na China, com 38 homens hospitalizados por causa da doença, constatou que seis deles (16%) apresentaram resultados positivos para o SARS-CoV-2 no sémen.

Os investigadores admitem que as descobertas são preliminares e baseadas num número pequeno de homens infetados e frisam que são necessárias mais pesquisas para verificar se a transmissão sexual pode ter um papel importante na pandemia de COVID-19. "Mais estudos são necessários em relação às informações detalhadas sobre a disseminação do vírus, tempo de sobrevivência e concentração no sémen", escreveu a equipa no estudo publicado no Journal of American Medical Association.

"Se pudesse ser provado que o SARS-CoV-2 pode ser transmitido sexualmente ... [isso] pode ser uma parte crítica da prevenção", disseram os cientistas que frisam que "o vírus foi detetado no sémen de pacientes em recuperação", cita o jornal Guardian.

Um estudo genético com base em amostras de mais de 7.500 pessoas infetadas com COVID-19 sugere que o novo coronavírus alastrou rapidamente no mundo depois de surgir na China, entre outubro e dezembro do ano passado. Especialistas independentes comentam que as descobertas relativamente à presença do vírus no sémen são "interessantes", mas devem ser vistas com cautela e no contexto de outros pequenos estudos que, pelo contrário, não encontraram o novo coronavírus no esperma.

Um pequeno estudo anterior, com 12 pacientes com COVID-19 na China, descobriu que todos apresentaram resultados negativos para a presença do SARS-CoV-2 em amostras de sémen.

Allan Pacey, professor de andrologia da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, disse que os estudos não devem ser vistos como conclusivos, pois houve algumas dificuldades técnicas na testagem do vírus no sémen, ou seja, a presença de SARS-CoV-2 no esperma não permitiu aferir a sua capacidade para causar infeção.

"No entanto, não devemos surpreender-nos se o vírus que causa a COVID-19 for encontrado no sémen, já que isso foi demonstrado com muitos outros vírus, como o ébola e zika", disse ele.

Sheena Lewis, professora de medicina reprodutiva na Universidade de Queen's Belfast, enfatizou que este é um "estudo muito pequeno" e disse que as suas descobertas estão de acordo com outros pequenos estudos que mostram baixa ou nenhuma presença do SARS-CoV-2 em amostras de sémen."No entanto, os efeitos a longo prazo do SARS-CoV-2 na reprodução ainda não são conhecidos", disse.

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