Joana, a zungueira que comprou terreno a vender paracuca a 50 e 100 kwanzas

Nos últimos meses tem havido um grande número de zungueiras, em diferentes zonas da capital, apostando na comercialização do famoso kitute da terra, a paracuca, uma mistura de jinguba e açucar caramelizado.

Joana Ambrósio, 28 anos, natural da província do Kwanza Sul, é zungueira há mais de cinco anos e apostou na venda de paracuca desde 2015, ganhando todos os dias entre oito a nove mil kwanzas.

“Por dia gasto quatro quilos de jingumba e dois de açucar, e ganho oito a nove mil kwanzas. Aqueles dias meio fracos faço apenas seis mil, mas se for a contar com um lucro semanal posso dizer que todas as semanas tenho vinte mil kwanzas”, explica ao SAPO.

Zungueira

“Acabo com este valor porque, no decorrer da semana, tiro o dinheiro para necessidades como alimentação e o bem estar para minha família. Apesar das corridas que têm sido constantes, eu gosto do que faço e sobrevivo nissso.”

Melhor: com a venda ambulante de paracuca já conseguiu comprar um terreno na sua terra natal, confessa.

Com o aumento da venda ambulante, as zungueiras deslocam-se por vários pontos da cidade, embora também tenham pontos fixos, como as paragens de táxi e autocarro, junto a supermercados e ainda frente a centros comerciais, onde assim efectuam as suas vendas em variadas medidas, no valor de 50, 100 e até mesmo quinhentos kwanzas.

Zungueira

Quem também anda no mesmo ofício são as  jovens Ana Joaquim, de 24 anos,  e Paula Francisco, 22 anos, residentes no Quilómetro 30, as quais vendem paracuca há quatro anos nos arredores do Município do Bellas.

Ambas têm uma visão contrária à de Joana, confessando que nem sempre os seus lucros são dos melhores. "Por vezes ganhamos cinco mil kwanzas por dia, mas acabamos por levar para casa mil e quinhentos kwanzas por causa da divisão da "kixikila" e o jantar", dizem.

Jandira José, estudante e dona de casa, compra sempre paracuca. “Não consigo ficar um único dia sem comprar paracuca, até porque os meus colegas e filhos já estão acostumados com a ideia de me ver sempre chegar com um pequeno embrulho no saco.”

Priscila Jorge

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