Tamba Millimono, conhecido por Fadiga, é um comerciante de gelados que teve a sorte de conseguir um posto fixo na baixa de Luanda em 2012. Tamba, de 49 anos de idade e natural da Guiné-Conacri, consegue assim ter um lucro de 10 a 20 mil kwanzas por dia para sustentar a sua família na cidade onde vive há mais de sete anos.

O início de um negócio empreendedor

Fadiga começou a trabalhar numa cantina, mas já comercializava gelados. Ganhou interesse por este negócio e a amizade que foi crescendo com o proprietário da “Rabugento”, uma das mais antigas e conhecidas geladarias do país, permitiu-lhe absorver técnicas para melhorar a qualidade do seu produto, em especial na produção dos canudos.

“Quando comecei a vender gelados aqui, tinha poucos clientes mas muita motivação para chamar novos clientes. Fui subindo aos poucos. Agora fomos afectados pela crise e a venda baixou muito, mas também tenho clientes que gostam do meu trabalho e passam sempre para comprar. Consigo ter lucro”, conta Fadiga ao SAPO.

Tamba Millimono, o guineense que superou a doença do filho a vender gelados em Luanda
Processo de produção de canudos de Fadiga

“Na altura da cantina, vendia gelados e outros produtos. Os gelados custavam 20 a 50 kwanzas, estava a ter lucro e decidi vender apenas os gelados no Rangel. Depois, fui mudando a minha localização e mesmo assim os clientes foram-me seguindo porque gostam do meu trabalho”, explica o comerciante.

A máquina de gelados e o sustento da família

A comercializar na entrada de um dos edifícios da baixa da cidade capital, Fadiga é pai de quatro filhos, dois a residir em Luanda e os outros dois na terra natal.

“Com o dinheiro que ganho, consigo garantir a formação dos meus filhos, tanto dos que vivem aqui comigo como dos outros que se encontram na nossa terra. Todos os meses envio dinheiro, embora a situação não esteja muito boa, mas sou grato por ter superado o problema de saúde de um dos meus filhos, que tinha o coração maior do que caixa”, conta-nos Fadiga.

Os gelados foram muito importantes nesta fase sensível:

“Tive muitos custos porque o meu filho nasceu com problemas de saúde, e andámos muito tempo de clínica em clínica para resolvermos esta situação. Numa primeira fase, não conseguimos um hospital fixo, mas, graças a Deus, conseguimos superar esta fase numa das clínicas do país.”

Geladaria: um sonho esquecido pela crise

Com o sonho de ter o seu próprio empreendimento – uma geladaria de sucesso –, Fadiga sentiu-se na obrigação de esquecer ou medir esforços para a realização de um dos seus desejos por conta da burla e da crise económica que assolam o país.

Tamba Millimono, o guineense que superou a doença do filho a vender gelados em Luanda

“Já há muitos anos pensava em ter o meu próprio espaço, mas à medida que o tempo foi passando, fui perdendo a vontade de realizar este desejo, porque primeiro fui burlado, e depois veio a situação da crise que acabou por dificultar muito as coisas. Prefiro continuar a vender os meus gelados na Avenida e se houver alguma proposta para trabalhar numa das geladarias do país, aceito.”

De referir que Tamba Millimono trabalha de segunda a segunda, na baixa de Luanda, das 10 às 22 horas, e mostra-se disponível para eventuais parcerias e contratos.

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