A palavra mobbing deriva do verbo inglês to mob que, em português, significa atacar, maltratar, tratar mal alguém, cercar, rodear, tumultuar e amotinar.

Este autor definiu o mobbing como "uma forma de terrorismo psicológico que implica uma atitude hostil e não ética praticada de forma sistemática – e não ocasional ou episódica – por parte de uma ou mais pessoas, no confronto com um só indivíduo, o qual, por causa do mobbing, acaba por ficar numa situação indefesa e tornar-se objeto de uma série de iniciativas vexatórias e persecutórias.

Estas iniciativas ocorrem com uma certa frequência (pelo menos uma vez por semana) e durante um certo período de tempo (durante pelo menos seis meses). Por causa da grande frequência e da longa duração do comportamento hostil, esta forma de mau trato provoca considerável sofrimento mental, psicossomático e social".

Uma em cada cinco pessoas já foram vítimas de mobbing

Estudos recentes estimam que 20% de todos os trabalhadores - um em cada cinco - tenham experimentado nos últimos seis meses algum tipo de comportamento compatível com o mobbing e 43% dos trabalhadores revelam que testemunharam alguma destas situações nos últimos seis meses.

No livro "A vida num degrau", é descrito num dos capítulos, o caso de Pedro, um trabalhador que evoluiu bastante até atingir uma posição de topo numa empresa, a custo de uma entrega total, com prejuízo das suas relações familiares, de tempo passado com os seus filhos... Subitamente quando a empresa é comprada por uma multinacional, por motivos que lhe são alheios, vê-se sendo hostilizado pelos novos donos, desinvestido, destituído das suas funções, e pressionado através de uma atitude de assédio moral flagrante para se demitir.

Desenvolve uma depressão grave e inicia um período de baixa médica em que recupera forças para fazer frente à sua entidade patronal com auxílio de um advogado e o processo acaba por terminar bem com a sua saída da empresa em troca de uma indemnização justa.

Este foi um caso de mobbing que terminou bem. Infelizmente, em grande parte dos casos, a luta pelos direitos dos trabalhadores-vítimas termina com o seu esgotamento, após vários avanços da entidade empregadora.

No contexto socioeconómico que vivemos, com uma busca incessante de lucro, e descuido crescente dos direitos dos empregados, estes casos são cada vez mais frequentes e causa importante de depressão reactiva.

Aumento do risco de suicídio

Nem todos os casos terminam bem como o de Pedro. Muitas vítimas de mobbing não conseguem suportar a luta e desistem de lutar pelos seus direitos, saindo sem reclamar uma indemnização. Não é infrequente que, em casos de assédio profissional grave, os trabalhadores acabem cometendo suicídio, muitas vezes consumado.

É sem duvida uma situação muito atual, que acontece diariamente, e afeta todos os estratos socioeconómicos, com consequências devastadoras para a saúde mental das vítimas, e que a meu ver é menos debatido do que deveria.

Um artigo do médico Diogo Telles Correia, especialista em Psiquiatria e Psicoterapia e Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa.