Os indivíduos que fazem acontecer e promovem esta mudança fantástica na economia do país são executivos angolanos que acompanham cada processo deste desenvolvimento. São profissionais que convivem com níveis de stress elevadíssimos e que têm metas arrojadas em sua agenda do quotidiano.

Em nossa clínica já atendemos, ao longo de 20 anos, mais de três mil angolanos, homens e mulheres que atuam nos mais diversos segmentos da vida angolana. No final do nosso artigo apresentamos o “Perfil de Saúde do Executivo Angolano”. Entretanto, observamos que a constante preocupação em atingir metas puramente materiais está contribuindo para uma falsa sensação de realização do homem angolano. Num mundo onde o ter predomina sobre o ser, o homem moderno está passando por mudanças profundas no seu modo de viver, nos seus valores sociais e espirituais. E tem pago caro por isso. Como não chega a lugar nenhum, ele se questiona: “Se consegui tanto, por que não estou feliz?”; “Por que me sinto tão mal fisicamente?; Por que o meu desejo sexual desabou?”....

O stress
A resposta a essas indagações certamente passa pelo conceito de stress. Entendendo o stress como um conjunto de reações químicas do organismo frente a uma condição nova que requeira adaptação, tolerância ou superação, podemos concluir que o homem angolano, na busca de status e poder, sobrecarrega seu organismo de tal forma que, não conseguindo adaptar-se a tal situação, dá início a uma série de transformações orgânicas e psicológicas que alteram a harmonia de seu corpo.

O poder e o status, por si mesmos, é bom ressaltar, não são causadores de stress. Porém, a ambição por atingi-los, a frustração por não alcançá-los, a luta diária em busca de espaço nas empresas, as cobranças por resultados e os conflitos com subordinados, entre outros, são potencialmente geradores de stress. E este stress está por trás das doenças do coração que são responsáveis por 40% dos óbitos nos centros urbanos. Outros fatores de risco para doenças coronarianas muito observadas no executivo angolano são: diabetes, o sedentarismo e a obesidade que, juntos, contribuem para o desenvolvimento do acidente vascular cerebral e infarto agudo do miocárdio, principais causas de incapacitação e óbitos de angolanos em idade pré matura.

O stress crônico que gera doenças
Quando nos referimos ao stress, falamos do stress crónico, constante, aquele que gera doenças. Este provoca em nosso corpo a produção de dois hormônios: a cortisona, que mobiliza as gorduras acumuladas no organismo e produz aumento do colesterol, reduzindo as imunidades e espessando o nosso sangue; e a adrenalina, que estreita a luz das artérias, gera taquicardia e aumenta a pressão arterial. É nesta condição que o indivíduo se encontra mais vulnerável e pode desenvolver doenças como hipertensão arterial, angina de peito, úlceras, gastrites, colites e outras condições de saúde como: queda do desejo sexual, insônia, fobias, depressão, irritabilidade etc.

Assim, homens e mulheres ambiciosos e competitivos pagam um preço extremamente caro: o de se tornarem, ainda em idade produtiva, fisicamente limitados ou mesmo de morrerem precocemente. De qualquer maneira, deixam de usufruir, no todo ou em parte, da qualidade de vida pela qual tanto se sacrificaram, na ânsia de alcançá-la.

A vida dessas pessoas começa a melhorar quando percebem a necessidade de mudança de hábitos nocivos à saúde, para os quais, até então, pouco davam importância. E, normalmente, as mudanças de estilo de vida ocorrem, após traumas importantes, seja no campo físico ou emocional. As atividades do dia-a-dia, como reuniões, telefonemas, compromissos sociais etc., devem ser racionalmente planejadas. É imperativo, por outro lado, manter uma atividade física regular, associada à alimentação saudável e à abstenção do tabagismo.

Após examinarmos mais de três mil angolanos em nossas clínicas, observamos que 70% dessa população de executivos (homens e mulheres) convivem com altos níveis de stress. É importante que o indivíduo reconheça no seu corpo as agressões provocadas pelo stress do cotidiano. A prevenção é o antídoto para esse mal. Somente através de uma avaliação médica completa – check-up médico - esses fatores de risco são identificados. A partir daí, o seu médico estará em condições de lhe oferecer um programa de promoção à sua saúde exclusivo, muito individualizado, capaz de lhe oferecer as condições para enfrentar com vitalidade as demandas de seu quotidiano.

Gilberto Ururahy

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