A conclusão é de um estudo publicado hoje no boletim científico “Nature Food” e que envolveu diversas universidades.

Os investigadores salientam que a globalização permitiu a diversificação das dietas e aumentou a disponibilidade de alimentos em várias partes do globo, mas também levou a uma situação de dependência, pelo menos parcial, de alimentos importados.

“A epidemia em curso de covid-19 enfatiza a importância da autossuficiência e da produção local de alimentos. Seria importante também avaliar os riscos que pode causar a dependência de outros produtos importados para a agricultura, como proteínas para alimentação animal, fertilizantes ou energia”, disse Matti Kummu, um dos envolvidos no estudo.

Pekka Kinnunen, da Universidade Aalto, na Finlândia, diz que há muitas diferenças entre as várias regiões e o tipo de agricultura que é possível. E explica que o estudo usou modelos que envolvem a distância mínima entre a produção de alimentos e o consumo que os seres humanos precisam para satisfazer a procura de comida.

Além da Universidade Aalto participaram na investigação as universidades de Colúmbia e da Califórnia, nos Estados Unidos, a Universidade Nacional Australiana e a Universidade de Gottingen, na Alemanha. Foram tidos em consideração seis grupos de alimentos, dos cereais à mandioca ou às leguminosas.

Uma das conclusões do estudo foi também a de que 27% da população mundial poderia obter os seus cereais, como o trigo a cevada ou o centeio, num raio inferior a 100 quilómetros. Os números são quase equivalentes em relação ao arroz e às leguminosas mas mais baixos para o milho (11% da população) e a mandioca (16%).

A cadeia alimentar (entre a produção e o consumo) é pequena quando se trata de produções familiares mas abrange o mundo nas grandes produções, pelo que “a diversidade das dietas atuais cria dependências globais complexas”, dizem os responsáveis.

Matti Kummu diz, citado no estudo, que os resultados mostram claramente que a produção local por si só não consegue responder à procura de alimentos, pelo menos com os atuais métodos de produção e hábitos de consumo.

Aumentar a produção local iria reduzir o desperdício de alimentos e as emissões de gases com efeito de estufa, diz o responsável, adiantando que tal também iria criar outros problemas, como a escassez e poluição da água em áreas densamente povoadas, além de criar vulnerabilidades durante as más colheitas ou migrações em larga escala.

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