O que é a adição?

Antes de mais é importante clarificar a terminologia do que implica a adição que, de acordo com o Dicionário da Real Academia Espanhola, identifica-se como sendo a “dependência de substâncias ou de atividades nocivas para a saúde ou para o equilíbrio psíquico”. Seja qual for a substância ou comportamento aditivo, é algo que inicialmente oferece uma sensação agradável (por exemplo, a pessoa sente-se eufórica, mais sociável, etc.) e, como tal, é muito fácil assumir-se que se está no controlo da situação, no entanto, geralmente não é o que acontece.

Devido ao seu caráter aditivo, este tipo de comportamentos acaba por se apoderar progressivamente da vida da pessoa, deixando depois de se tornar algo prazeroso, passando a ser algo que a pessoa procura incessantemente porque não se sente bem com a privação da substância ou de determinado comportamento. Esta é uma das preocupações mais presentes nas adições, porque esta procura leva a que haja interrupção de atividades diárias da vida da pessoa e, a longo prazo, origina uma falta de produtividade e desenvolvimento.

O consumo de substâncias ao longo da história

Desde sempre que as dependências têm sido uma temática presente em praticamente todas as sociedades mundiais. Historicamente, o consumo de substâncias aditivas prendeu-se com vários rituais e culturas, os quais foram evoluindo ao longo dos tempos, adaptando-se ao meio que as rodeava.

Foi já durante o século XX que se tornou imperativa a criação de projetos de intervenção terapêutica e apoio para tratar esta problemática, muito por causa dos efeitos nefastos que este tipo de comportamentos aditivos tem no indivíduo e na sociedade.

O aparecimento de um novo tipo de adição: o consumo excessivo de tecnologias

Nos últimos anos tem aumentado a utilização de tecnologias, em especial as que permitem o acesso à Internet, tais como consolas de jogos eletrónicos, computadores pessoais e telemóveis. E com isso aumentou também a quantidade de horas diárias passadas online. O consumo excessivo deste tipo de dispositivos, em particular o uso excessivo dos videojogos, tem conduzido ao aparecimento de um novo tipo de adição.

Além disso, alguns estudos recentes mostram ainda que, associado ao consumo excessivo de tecnologias, aumenta a probabilidade do individuo consumir substâncias nocivas, tais como o álcool e as drogas, que poderá levar ao seu isolamento social e influenciar negativamente vários contextos da sua vida, tornando, por isso essencial a intervenção conjunta deste tipo de adições, uma vez que têm tendência a progredir em paralelo. Torna-se, então, importante que o tratamento seja feito em simultâneo, para que a pessoa compreenda as causas da sua condição e desenvolva melhores mecanismos para aumentar as suas hipóteses de recuperação a longo prazo.

É importante a ajuda profissional especializada

Se conhecer casos em que está presente qualquer uma destas adições, é importante que procure a ajuda profissional especializada, entre outros, de psicólogos clínicos e psiquiatras, para lidar com este tipo de comportamentos, principalmente numa fase precoce de consumos.

Existem diversas características de personalidade associadas à aquisição de comportamentos aditivos, nas quais se inclui a presença de:

  • Impulsividade;
  • Curiosidade por novas sensações;
  • Psicoticismo;
  • Tendência para comportamentos desviantes.

De qualquer forma, se não conhece nenhum caso, mas tem jovens na sua família, procure desenvolver algumas estratégias de prevenção, de modo a que estes não acabem por mergulhar neste tipo de comportamentos aditivos extremamente debilitadores para o desenvolvimento saudável da sua vida.

Margarida Rogeiro / Psicóloga e Psicoterapeuta

© PsicoAjuda – Psicoterapia certa para si, Leiria

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