Claudia Toledo, responsável pela aplicação explicou em declarações à agência Lusa que a Frendlee destina-se ao idoso “que tem ainda muito que viver, que se sente inseguro para fazer determinadas atividades sozinho, não ficando assim dependente da família ou dos amigos para fazer o que gosta”.

Com a Frendlee, cujo custo por hora ainda não está definido, o idoso poderá ter acesso a profissionais das mais diversas áreas e especialidades para os acompanhar nos momentos por si escolhidos, adiantou à Lusa na Web Summit.

Uma espécie de companhia 'à la carte', com um catálogo de “pessoas frendlee” onde o idoso poderá escolher para o acompanhar na atividade que pretende.

A ideia, explicou, é que este procure por especialidade, avaliação e disponibilidade, converse via 'chat' e agende a sua atividade, tudo de maneira segura através da `app´.

Nesta aplicação, explicou Claudia Toledo, estarão inscritas pessoas com horas disponíveis para se dispor a ser “um frendlee”, devidamente treinadas e cadastradas e que serão pagas pelo serviço prestado.

"O mundo está a ficar cada vez mais sénior, temos idosos com cada vez mais saúde, mas também cada vez mais sozinhos", disse Claudia Toledo, justificando assim a ideia que surgiu enquanto criativa numa agência de marketing de que é detentora no Brasil.

A empreendedora admite que gostaria de começar este projeto em Portugal.

De acordo com as últimas projeções do Instituto Nacional de Estatística, de 2015 a 2080, o índice de envelhecimento da população portuguesa mais do que duplica, passando de 147 para 317 idosos, por cada 100 jovens, em 2080.

O índice de envelhecimento só tenderá a estabilizar na proximidade de 2060, quando as gerações nascidas num contexto de níveis de fecundidade abaixo do limiar de substituição de gerações já se encontrarem no grupo etário dos 65 ou mais anos.

O isolamento, explicou, tem um efeito devastador no bem-estar dos idosos, e é nesse contexto, de uma vida mais saudável, mais longa e mais solitária, que a aplicação Frendlee surge para conectar pessoas idosas àquelas que estão prontas para acompanhá-las nas suas atividades do dia-a-dia.

Claudia Toledo garante que não procura investidores, porque, assegura, tem já o projeto desenvolvido e financiado para os primeiros passos, mas sim uma rede de parceiros para a implementação da `app´ que, explica, se assemelha muito aos primórdios do Facebook funcionando inicialmente entre pessoas conhecidas.

A cimeira tecnológica, de inovação e de empreendedorismo Web Summit nasceu em 2010 na Irlanda e mudou-se em 2016 para Lisboa, devendo permanecer até 2028 no Altice Arena (antigo Meo Arena) e na Feira Internacional de Lisboa (FIL), em Lisboa.

Nesta terceira edição do evento em Portugal, que termina hoje, são esperados cerca de 70 mil participantes de mais de 170 países.