"Está a causar muitos problemas", disse o presidente a jornalistas na Casa Branca, na quarta-feira, onde esteve acompanhado do secretário de saúde, Alex Azar, e do chefe interino da agência de medicamentos e alimentos, a FDA, Norman Sharpless.

Trump acrescentou que a primeira-dama, Melania Trump, participou nas discussões porque "tem um filho" e "está muito decidida em relação a isso", cita a agência de notícias France Presse.

Azar disse que ainda faltam várias semanas para que se publique a nova instrução sobre a venda de recargas com sabor para cigarros eletrónicos.

Donald Trump (centro à direita) com Melania Trump (centro à esquerda), Alex Azar (à direita) e Norman Sharpless (à esquerda), na quarta-feira (11.09), na Casa Branca créditos: NICHOLAS KAMM / AFP

A FDA encarregou-se em 2016 de regular a comercialização dos sistemas eletrónicos de fornecimento de nicotina, incluindo os cigarros eletrénicos ou vaporizadores, e têm a autoridade de exigir que se retirem dispositivos ou produtos associados.

Além das seis mortes, mais de 450 pessoas que informaram ter consumido nicotina, produtos de canábis ou ambos nesses dispositivos, adoeceram nos últimos meses, com sintomas que incluem dificuldade para respirar e dor no peito. Alguns tiveram que ser hospitalizados e receber assistência respiratória.

Os casos já motivaram um alerta em Portugal: a Sociedade Portuguesa de Pneumologia pediu cautela aos utilizadores portugueses, recordando que o melhor é "respirar ar limpo". Aquela organização solicitou ainda aos médicos portugueses que comuniquem eventuais casos de doença relacionados com os cigarros eletrónicos às autoridades competentes.

Coma e morte

Nos Estados Unidos, vários adolescentes foram induzidos em estado de coma, incluindo um cujos médicos disseram que, caso se recupere, poderá precisar de um transplante de pulmão.

Os vaporizadores são comercializados nos Estados Unidos desde 2006 e frequentemente são usados como ajuda para parar de consumir cigarros tradicionais, mas também são muito populares entre os adolescentes, em quem os fabricantes mais se centram, com a apresentação de novos produtos com sabores de frutas ou doces.

Cerca de 3,6 milhões de estudantes do ensino secundário usaram vaporizadores em 2018 nos Estados Unidos, um aumento de 1,5 milhões em relação ao ano anterior.

Os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos têm pedido às pessoas que deixem de vaporizar enquanto não se conheçam os resultados das investigações em curso.

As autoridades federais ainda não identificaram uma só substância comum a todos os casos, mas o Departamento de Saúde de Nova Iorque está a concentrar sua investigação nas recargas de canábis vendidas clandestinamente que contêm óleo de vitamina E, prejudicial ao ser inalada.

A FDA advertiu esta segunda-feira a fabricante de cigarros eletrónicos JUUL, líder do mercado, que deixe de se anunciar como uma alternativa menos prejudicial ao tabagismo.

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