A incidência dos vários tipos de cancros de pele tem aumentado em todo o mundo, estimando-se que em Portugal, em 2018, sejam diagnosticados mais de 12.000 novos casos, dos quais 1.000 serão melanomas, segundo dados da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo.

Estes números poderão ser mais altos pela provável subnotificação, sobretudo de carcinomas basocelulares e espinocelulares. Os melanomas representam 5% de todos os tumores malignos diagnosticados. A sua incidência tem aumentado sendo, atualmente, da ordem dos 3 a 8 casos por cada 100.000 habitantes.

A exposição solar abusiva é responsável por mais de 90% dos casos de cancros cutâneos. A doença é geralmente desencadeada pela lesão dos constituintes da pele causada pelo sol, principalmente quando ocorrem queimaduras solares (vulgo escaldão). Um pequeno número de casos pode estar associado a fatores hereditários. Os solários podem também ser causa de cancro da pele.

Os perigos do sol continuam a aumentar à medida que a camada do ozono vai diminuindo. As radiações nocivas, que afetam a nossa pele, deveriam ser filtradas por esta barreira natural, mas a verdade é que a rarefação da camada do ozono está a deixar passar tudo o que o sol tem essencialmente de mau.

A cor dos melanomas pode variar entre o castanho ou preto, azul ou laranja. Os melanomas são, habitualmente, assimétricos, com bordos irregulares, de cor não uniforme e diâmetro superior a 0,6 milímetros. A pele em redor do sinal pode apresentar feridas, crostas ou vermelhidão. O tumor pode assemelhar-se a uma "bolha de sangue", pode dar prurido (comichão) e até dor.

Os sinais de alarme

  • Sinal pré-existente que muda de cor, tamanho ou forma ou que começa a sangrar;
  • Aparecimento de feridas, que curam muito lentamente;
  • Sinal que se torne anormalmente grande;
  • "Bolhas de sangue" que apareçam sob as unhas e que não tenham resultado de uma agressão;
  • Aparecimento de um sinal novo, principalmente após os quarenta anos, que apresente uma forma irregular ou uma cor anormal;
  • Aparecimento de comichão ou ardor num sinal pré-existente.

Terei um nevo normal ou será melanoma?

Um nevo normal tem uma coloração igualmente distribuída de cor castanha, cor de pele ou preto. Pode ser plano ou ligeiramente elevado. Pode ser redondo ou oval.

Os nevos geralmente têm uma dimensão inferior a 6 milímetros em diâmetro. Um nevo pode aparecer durante a infância ou no início da adolescência.

Vários nevos podem aparecer ao mesmo tempo, especialmente em áreas da pele expostas ao sol. Os nevos permanecem do mesmo tamanho, forma e cor ao longo de muitos anos, por vezes desaparecendo em indivíduos idosos. A maioria das pessoas tem nevos e a grande parte deles são inofensivos. Mas é extremamente importante reconhecer mudanças em nevos sugestivos de desenvolvimento de melanoma.

A regra do ABCDE

A regra do ABCD pode ajudar a distinguir um nevo normal de um melanoma:

Assimetria: metade do nevo diferente da outra metade.

Bordo: os bordos do nevo são irregulares, nodulados e recortados.

Cor: a cor sobre o nevo não é uniforme. Pode haver diferentes tonalidades de castanho, preto e por vezes de vermelho, azul e branco.

Diâmetro: o diâmetro do nevo é maior que 6 milímetros.

Elevação: a pele torna-se espessa ou elevada.

Vigie a sua pele e esteja atento ao:

  • Rápido aumento de volume e/ou expansão;
  • Reforço da pigmentação;
  • Características da superfície, erosões e exsudado sanguinolento;
  • Reação inflamatória, dor ou prurido.

Grupos de risco

Os grupos de risco são todas as pessoas com história familiar de cancro da pele ou de outro cancro; fototipo baixo, ruivos, louros, olhos claros, isto é, que queimam sempre e nunca bronzeiam; tratamento com medicamentos imunosupressores - por exemplo os transplantados; que tiveram muitas queimaduras solares em criança; com história de exposição solar inadequada; exposição a algumas substâncias químicas, tais como os hidrocarbonetos e o alcatrão.

Rastreio

Todos os indivíduos devem fazer observar a sua pele uma vez por ano e nomeadamente os sinais localizados em áreas em que eles próprios não possam detetar uma alteração precoce, como o dorso, as nádegas e o couro cabeludo.

Os indivíduos pertencentes aos grupos de risco devem fazê-lo de uma forma muito mais empenhada e sem falhas. Todos os sinais que surgem “de novo” devem também ser observados precocemente e também as alterações pigmentadas das extremidades dos dedos ou das unhas, muitas vezes atribuídas a pisaduras mas que não desaparecem, devem também ser observadas.

As informações têm a validação científica do médico dermatologista João Maia Silva, coordenador da Unidade do Melanoma do Instituto CUF.

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