Para abordar o assunto, a Comissão Provincial de Luanda para o combate e prevenção da cólera e malária reuniu-se hoje, tendo avaliado a situação da doença e o Plano de Emergência, que engloba os mecanismos de atuação para prevenir os focos da doença na capital angolana.

A comissão, considerando que a actividade de descarga, compra e venda de peixe no mercado da Mabunda e arredores, localizado no distrito da Samba, "nem sempre é desenvolvida nas melhores condições higiénico-sanitárias" criou um grupo de trabalho multissetorial, para prócer ao levantamento da situação e tomar medidas correctivas para evitar que local seja um possível foco de doenças.

Este mesmo grupo deverá estender a sua acção aos demais mercados e bairros considerados grandes produtores de resíduos sólidos e com baixos níveis de saneamento do meio, como é o caso do Catinton.

Por outro lado, a comissão registou com preocupação a venda indevida do peixe baiacuê, alertando toda a população a abster-se da sua compra e consumo, pois estudos comprovam que o referido produto contém um elemento altamente tóxico e é contraindicado para o consumo humano.

De entre as medidas de vigilância, a comissão orientou igualmente e intensificação das campanhas de sensibilização junto da população para a mudança de comportamentos ligados à higiene pessoal e colectiva, ao tratamento da água para consumo e dos alimentos, ao mesmo tempo que apelou à calma, solicitando a colaboração das igrejas, associações, parceiros sociais e demais entidades.

Aos hospitais e centos de saúde de Luanda foi reforçada a orientação para estarem preparados para o tratamento inicial dos casos suspeitos, ou seja, receber o doente, estabilizá-lo e posteriormente encaminhar paras a unidades de referência, nomeadamente o Hospital Geral de Luanda, Hospital Ana Paula, em Viana, e o Centro de Saúde Dr. Agostinho Neto, no Cazenga.

O surto de cólera eclodiu no bairro Dangereux, município de Talatona, arredores de Luanda, tendo de 23 de Junho até agora causado cinco óbitos, como constatou a Lusa naquela zona.

Só desde 23 de Junho, o surto da doença já levou ao aumento exponencial de casos de diarreia aguda, de pelo menos 20, acompanhados de vómitos, elevando a cinco o número de óbitos, três dos quais da mesma família, todas no bairro Dangereux.