A posição foi apresentada, em conferência de imprensa, pelo presidente da Sinmea, Adriano Manuel, que lamentou ainda a contratação de médicos estrangeiros quando existem no país mais de 4.000 profissionais no desemprego.

"Continuamos a assistir a uma gritante falta de médicos, medicamentos, e material gastável nos hospitais, embora em alguns hospitais observamos alguma melhoria, no entanto, muito aquém das necessidades reais", referiu.

O dirigente sindical lembrou que completou hoje um ano desde que o Ministério da Saúde anunciou a abertura de um concurso público para o enquadramento de novos médicos, mas até à presente data isto não se concretizou.

Numa altura em que se aproxima a época chuvosa em Angola, os médicos consideram necessária a contratação de mais profissionais, tendo em conta o aumento de doenças e o índice elevado de pacientes nos hospitais.

"Quase todos os hospitais de Angola não estão preparados, nem do ponto de vista material, muito menos de recursos humanos, para abordar um paciente com enfarto miocárdio", salientou.

O médico pediatra apontou o exemplo doloroso de ver “uma mãe com o seu filho a convulsionar, atravessar estradas com objetivo de comprar diazepam, um fármaco muito importante para urgências médicas”.

“É doloroso observarmos nos hospitais terciários transferências provenientes dos hospitais secundários, de recém-nascidos com hipoxia [diminuição de concentração de oxigénio] em ambulância sem oxigénio, ou na maior parte das vezes por táxi, carros particulares, chegando já cadáveres nos nossos hospitais", lamentou.

Os médicos denunciaram também a existência de hospitais sem ambulâncias, com muitas paradas em quintais particulares, "denotando falta de controlo do património do Estado".

"O país tem um serviço de saúde primário e secundário debilitado, moribundo, praticamente em coma. O povo não confia nestes níveis de saúde, daí que acorrem aos serviços terciários, provocando grandes aglomerados de pacientes, aumentando desta forma o elevado nível de mortalidade nos nossos hospitais", frisou.

Sobre o não enquadramento dos 625 médicos, que há um ano participaram no concurso público, o sindicato diz não encontrar "repostas plausíveis” para a situação.

"Sempre que o sindicato se pronuncia em relação a esta questão, o Ministério da Saúde, com alguma antecedência, vai convocando os médicos para dar a entender que o problema está a ser resolvido, mas, no entanto, este problema não está a ser resolvido até hoje", criticou Adriano Manuel.

O dirigente sindical considerou, por isso, que o argumento usado de haver “uma formação contínua por parte dos médicos”, em seu entender, “não tem razão de ser”.

O Sinmea lamentou que, existindo por lei várias modalidades dentro do concurso público para a sua realização, o Ministério da Saúde tenha optado pelo mais difícil - por provas - quando o país possui apenas 6.000 médicos para cerca de 30 milhões de habitantes.

"O Ministério da Saúde parte para uma modalidade que é a mais difícil, que prejudica a nação, que põe em causa a sobrevivência de muitas crianças, de muitos velhos, porque hoje temos hospitais sem médicos", vincou.

Perante este cenário, Adriano Manuel aproveitou para anunciar que, “nos próximos 15 dias, caso o Ministério da Saúde não responda”, o sindicato irá “fazer uma marcha, cujo objetivo principal vai ser discutir, abordar, [e] chamar a atenção ao Governo de Angola para que se coloque os médicos”.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.