Segundo Hans Kluge, especialista em saúde pública e representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) neste grupo de peritos, Portugal tem dado importantes passos neste sentido, mas deve ainda “direcionar para o apoio domiciliário” muitos dos serviços que são prestados em ambiente hospitalar.

Hans Kluge falava durante uma conferência de imprensa em que, acompanhado por um representante do Observatório Europeu dos Sistemas e Políticas de Saúde e Constantino Sakellarides, especialista em saúde pública e consultor do ministro da Saúde, foi assinalado o fim de seis meses de avaliação que resultará agora num relatório com sugestões. Estas sugestões serão entregues ao ministro da Saúde, a quem caberá decidir as medidas a aplicar.

Segundo Hans Kluge, “muitos doentes, nomeadamente crónicos, não precisam de ser curados, mas antes de terem qualidade de vida”, referiu. A este propósito, sublinhou o elevado número de doentes crónicos em Portugal, com patologias de elevado peso, como a diabetes, o problema da obesidade infantil e do tabaco.

Sobre o envelhecimento da população, disse que este é um fenómeno europeu, embora em Portugal sobressaia, pela negativa, o facto de serem menos os anos com qualidade de vida após os 65 anos. Ainda sem revelar quais as recomendações que seguem no relatório final, este especialista defendeu um maior envolvimento das autarquias para atacar algumas das questões mais urgentes e que, na sua opinião, não poderão ser resolvidas apenas pelo Ministério da Saúde.

15 doenças que ainda não têm cura

“A obesidade infantil, o álcool, a diabetes, o tabaco, cada vez mais consumido por mulheres jovens, são desafios que precisam de respostas e estas não estão apenas no Ministério da Saúde”, disse.

Josep Figueras, do Observatório Europeu dos Sistemas e Políticas de Saúde, sublinhou os passos desenvolvidos por Portugal na área dos cuidados de saúde primários e defendeu a criação de “uma nova estrutura” nesta área que responda mais prontamente onde as atuais revelam dificuldade: doença aguda doenças crónicas.

Para este especialista, o sucesso das medidas não passa apenas por mais recursos, até porque existem áreas em que estes poderão ser poupados, como no consumo excessivo de antibióticos, com o consequente impacto nas infeções hospitalares. “Mais dinheiro é sempre bom, mas há áreas onde podemos ir buscar esses recursos”, disse.

O relatório final desta avaliação deverá estar disponível no primeiro semestre de 2019. Antes disso, o ministro da Saúde deverá decidir sobre as respetivas recomendações. No final da conferência de imprensa, o ministro Adalberto Campos Fernandes sublinhou que esta avaliação representa “um exercício de política humilde”.

O ministro manifestou interesse em demonstrar mais eficiência no setor, a qual não passa por demoras médias impróprias, consumo excessivo de antibióticos e elevada prevalência de infeções hospitalares.

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