A hipertrofia mamária grave ou gigantomastia é uma condição que afeta funcionalmente a vida das mulheres e associa-se a sintomas por vezes incapacitantes, o que nos permite afirmar que ultrapassa largamente a esfera da cirurgia estética para se enquadrar no grupo de patologias quer requerem uma cirurgia funcional ou reconstrutiva.

Até esta altura não havia dados que pudessem esclarecer qual o “peso” da obesidade na taxa de complicações após uma mamoplastia de redução.

Recentemente, dados publicados na literatura científica (meta-análise) mostram que nos obesos (IMC >30 Kg/m2) a taxa de complicações é 1,45 vezes superior do que nos não obesos.

Já o risco de problemas na cicatrização (necrose cutânea e adiposa) é 2.01 vez superior.

Nas pacientes com obesidade severa (IMC >35 Kg/m2) ou mesmo mórbida (IMC >40 Kg/m2) a taxa de complicações vai gradualmente crescendo (1.71 e 2.05 respetivamente) comparando com as pacientes obesas (IMC >30 Kg/m2).

Apesar do descrito, não devem ser excluídas da lista de candidatas à cirurgia de redução mamária estas pacientes pelo facto de se reconhecer um risco, à partida, significativamente mais elevado de complicações.

Esta intervenção tem um impacto positivo na redução de peso destas pacientes, uma vez que melhora a condição física, diminuindo a incapacidade funcional a todos os níveis.

Por outro lado, também aumenta a capacidade destas pacientes para a pratica de exercício físico e acima de tudo a sua autoconfiança.

As explicações são de Ana Silva Guerra, médica e cirurgiã plástica.