Um memorando de entendimento e cooperação assinado, no Ministério da Saúde, entre o START - South Texas Accelerated Research Therapeutics e o CHLN, poderá traduzir-se “no maior investimento estrangeiro feito alguma vez em Portugal, na área de ensaios clínicos oncológicos de Fase 1”, segundo o documento.

“Estamos a criar condições para disponibilizar, mais uma vez, inovação ao mais alto nível do conhecimento, da tecnologia e da terapêutica aos nossos doentes e para termos resposta no país para aquilo que é uma preocupação de todos, porque todos assistimos ao crescimento da doença oncológica, todos assistimos à pressão constante de encontrar em tempo útil as melhores respostas”, disse à agência Lusa o presidente do CHLN, Carlos Martins, no final da cerimónia que contou com a presença do ministro da Saúde e do presidente do START.

Uma oportunidade

Para o setor hospitalar, representa “uma oportunidade de parceria internacional e de contribuir, mais uma vez, para o prestígio e para a diferenciação do país”, sublinhou Carlos Martins, adiantando que o centro a instalar no CHLN será o primeiro de “Fase 1” em Portugal e o terceiro a nível da União Europeia. Os outros dois funcionam em Espanha.

Segundo Carlos Martins, o investimento inicial será de entre um milhão de euros e 1,5 milhões de euros e será partilhado pelo START e pelo CHLN, que irá envolver os seus parceiros do consórcio Centro Académico de Medicina de Lisboa.

Como benefícios desta parceria, apontou mais receitas, que servirão para “voltar a alavancar investimento” e políticas de inovação, atrair investimento e conhecimento, o envolvimento de 400 a 500 doentes neste processo dentro de cinco anos, além dos 25 a 30 milhões de euros de orçamento anual e da libertação de 10 a 15 milhões de euros em termos de receita para a instituição.

Presente na cerimónia, o diretor do departamento de Oncologia do Hospital de Santa Maria, Luís Costa, disse que é “grande orgulho” participar deste consórcio, mas também “uma grande responsabilidade”, porque o contributo terá de ser realizado com uma qualidade enorme para “não colocar qualquer risco no desenvolvimento dos medicamentos”.

“Em Portugal, o cancro continua a ser uma causa de mortalidade importantíssima e quando as pessoas morrem desta doença é porque os tratamentos que temos não são suficientes para resolver o problema do cancro”, disse o oncologista, contando que os doentes perguntam sempre aos médicos o que pode ser feito para conseguirem sobreviver.

A resposta é dada pela ciência que procura novos resultados na Fase 1, “onde se testam pela primeira vez os medicamentos para tentar encontrar novas soluções”, sublinhou.

“Espero que os nossos amigos americanos percebam bem que estão a fazer uma boa aposta num dos melhores países da União Europeia e que seguramente daqui por um ano ou dois anos vão estar muito satisfeitos e vão dizer que foi uma aposta ganha e uma aposta certa”, disse o ministro à Lusa.

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