"A prática da eutanásia, que já se tornou legal em vários Estados, propõe apenas em aparência encorajar a liberdade pessoal, enquanto na realidade é baseada em uma visão utilitária da pessoa", comentou o Papa, recebendo esta segunda-feira em audiência médicos membros de uma associação italiana de oncologia.

"A tecnologia não está a serviço do Homem quando ela o reduz a uma coisa, quando distingue entre quem merece ser tratado ainda e quem, pelo contrário, não merece, porque é considerada apenas um peso", ressaltou o Papa, que insiste na importância de "acompanhar o paciente" e da administração de "cuidados paliativos".

O Sumo Pontífice pediu aos médicos presentes que não sigam "os caminhos mais radicais e mais rápidos".

"Se escolhermos a morte, os problemas serão resolvidos em certo sentido, mas a amargura por trás desse raciocínio e rejeição da esperança envolve a escolha de desistir de tudo e romper todos os elos", afirmou.

O Papa e o Vaticano tomaram uma posição em julho contra a interrupção do tratamento de Vincent Lambert, um ex-enfermeiro francês de 42 anos em estado vegetativo desde um acidente de carro. Quando o doente morreu, Francisco enfatizou que "toda a vida tem valor, sempre".

O caso do francês, que dividiu a sua família, tornou-se um símbolo do debate sobre o fim da vida em França.

Esta não é a primeira vez que o chefe máximo da Igreja Católica critica publicamente o ato intencional de proporcionar a alguém uma morte indolor para aliviar o sofrimento causado por uma doença incurável ou dolorosa.

O Papa Francisco viaja na quarta-feira para Moçambique, no âmbito de uma visita a África que conta ainda com deslocações a Madagáscar e às Ilhas Maurícias.

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