No dia em que se assinala a luta contra a poliomielite, a Organização Mundial da Saúde anunciou a erradicação em todo o mundo de um dos três vírus causadores da doença.

"Após a erradicação da varíola e do poliovírus tipo 2 (em 2015) esta notícia representa uma conquista histórica para a humanidade", afirma a OMS em comunicado, citado pela agência noticiosa espanhola Efe.

Agora, resta apenas eliminar o vírus da pólio tipo 1 que provocou surtos nos últimos anos em países como o Paquistão, Afeganistão, Nigéria e Filipinas.

"Alcançar a erradicação total da poliomielite será um grande avanço na saúde global", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que prometeu redobrar os esforços para alcançar esse objetivo.

A Direção-Geral da Saúde de Portugal, que já tinha avançado que a OMS iria fazer o anúncio da erradicação do vírus pólio 3, considerou este feito “uma conquista muito grande da humanidade” na luta contra uma doença que “matava milhares e milhares de crianças em todo o mundo e deixava milhares e milhares com paralisia para o resto da vida”.

“É um combate por passos e hoje é de facto um passo histórico porque ficaremos com dois dos três vírus da pólio erradicados em todo o mundo”, disse à agência Lusa a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas.

Atualmente, a poliomielite apenas está presente em dois países do mundo: Afeganistão e Paquistão, onde há algumas dezenas de casos causados pelo vírus pólio 1, o único dos três tipos de vírus que falta erradicar.

“São países profundamente pobres, com conflitos há muitos anos e são países extensos, remotos, onde não é fácil chegar ajuda externa”, explicou Graça Freitas.

Agora “todas as atenções estão viradas para o Afeganistão e para o Paquistão para se perceber se vai ser possível [erradicar a doença do planeta]. Estamos em crer que sim, é uma questão de tempo”, considerou a diretora-geral da Saúde.

Os três vírus da poliomielite têm os mesmos sintomas e podem causar a paralisia ou mesmo a morte, embora tenham diferenças genéticas e virológicas.

O último caso de pólio tipo 3 foi detetado no norte da Nigéria em 2012 e desde então uma rede de profissionais de saúde e laboratórios têm trabalhado para determinar e confirmar que o vírus já não existe no mundo, excetuando amostras controladas para investigação.

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