Mensageiras químicas que circulam pelo sangue, as hormonas desempenham um papel essencial no equilíbrio do organismo.
São elas que estimulam ou inibem a actividade de certos órgãos, de tal forma que o seu excesso ou carência afecta o nosso bem-estar.
Em ligação constante com o sistema nervoso, as hormonas comandam a sexualidade, o humor, o sono, a temperatura corporal, entre tantas outras funções vitais. Desvendamos-lhe as substâncias mais poderosas do seu corpo.
Estrogénio
Hormona feminina por excelência, o estrogénio é produzido pelo ovário e desempenha uma importante acção anti-envelhecimento.
Função «Por volta dos dez anos, o estrogénio dá ordens ao corpo para iniciar o processo de crescimento que conduz à puberdade. Ao longo da vida, tem um papel muito importante a nível do cérebro, pele, ossos, vascular e sexual. Na menopausa, quando baixam os seus níveis, começam a surgir alguns sinais de envelhecimento», explica Maria do Céu Santo, ginecologista e obstetra.
Terapêutica As terapias hormonais de substituição, adverte, «adiam alguns efeitos do envelhecimento. No entanto, são polémicas por causa do risco de cancro do útero e da mama».
Progesterona
É a hormona que aparece na puberdade, segregada após cada ovulação, e cuja produção abranda na fase da menopausa. «É relevante na síndrome pré-menstrual», refere Maria do Céu Santo.
Função «Inf luencia o humor, propicia o aparecimento de acne e equilibra os estrogénios. Tem como missão escamar o endométrio e levar à menstruação. Está igualmente associada ao desenvolvimento da gravidez», descreve.
Terapêutica As terapias de progesterona «regularizam os ciclos menstruais, evitando os f luxos inconstantes e muito intensos, que podem causar anemia», afirma a ginecologista.
Testosterona
Embora seja uma hormona «tipicamente» masculina, a testosterona é também relevante no organismo feminino, onde é fabricada em menor quantidade pelo ovário.
Função Exerce um papel muito importante na boa disposição, força muscular, excitação e orgasmo. A forte presença desta hormona no homem explica, segundo a ginecologista, a apetência sexual que lhes é característica.
Terapêutica «Já é comercializada em alguns países, nomeadamente em Espanha. Destina-se a mulheres com alterações a nível sexual, como é o caso da libido e do orgasmo. Tem também indicação para as mulheres a quem foram extraídos o útero e o ovário», explica Maria do Céu Santo.
Oxitocina
Expelida pelo hipotálamo e armazenada na hipófise, a oxitocina é a hormona do amor e a protagonista na maternidade. Acredita-se que, sempre que a mulher mantém uma relação amorosa estável, a sua presença no organismo aumenta.
Função «É a hormona da ligação à criança. Acciona as contracções uterinas no parto e a ejecção do leite na amamentação», diz a ginecologista. Isabel do Carmo, endocrinologista, realça ainda que, «embora a oxitocina diminua ao longo da vida, é determinante para enfrentar situações de stress».
Terapêutica A oxitocina é usada «regularmente como auxiliar no trabalho de parto e na lactação, com o propósito de eliminar o leite segregado», esclarece Maria do Céu Santo.
Veja na página seguinte: A hormona indispensável
Função «Esta substância aumenta a pressão arterial e o açúcar no sangue, além de que regula o sistema imunitário. Ajuda o organismo a proteger-se de doenças alérgicas, asma, doenças articulares e de reacções inflamatórias», esclarece a endocrinologista.
A secreção de cortisol aumenta no início do dia e decai no fim da tarde e durante a primeira fase do sono.
Terapêutica Segundo Isabel do Carmo, recorre-se «a fármacos de cortisona, (semelhante à hormona produzida no organismo) para tratamento de doenças inflamatórias, problemas de pele, cancro e em cirurgias de transplante para evitar rejeição do novo órgão».
Vasopressina
É desencadeada pela neuro-hipófise, mas produzida pelas células nervosas do hipotálamo sempre que se manifestem sinais de desidratação no organismo.
Função «A vasopressina permite que os rins preservem a água, influenciando a quantidade de urina», explica a endocrinologista. O consumo de bebidas alcoólicas «pode ser prejudicial à produção de vasopressina, pois suprime a produção de HAD, aumentando a diurese», avisa.
Terapêutica «É administrada em fármaco em pessoas com insuficiência da hipófise. Por outro lado, a falta de produção de HAD causa a diabetes insípidus», acrescenta Isabel do Carmo.
DHEA
A Dehidro-Epi-Androsterona é um esteróide, produzido na glândula supra-renal e nas gónadas, responsável pela existência de testosterona e estradiol no corpo.
Função É a hormona mais comum na corrente sanguínea e tem um papel vital no anti-envelhecimento. «Melhora o bem-estar e o desempenho intelectual», diz Maria do Céu Santo.
Terapêutica «Nos Estados Unidos, já é comercializável um sulfato com esta hormona para combater o envelhecimento», acrescenta.
Androstenediona
É produzida nas glândulas supra-renais e gónadas e converte-se em testosterona. «É uma hormona masculina, mas existe em pequenas quantidades na mulher. Quando abunda deve-se aos ovários poliquísticos, que provocam ciclos menstruais irregulares, acne e pilosidade em excesso», diz a endocrinologista.
Função No que respeita a sua acção, a endocrinologista afirma que «ainda não são muito bem conhecidas as suas funções».
Terapêutica «As pílulas anticonceptivas (com estrogénios e progesterona) permitem regular os ciclos menstruais e compensar a produção de androstenediona», refere Isabel do Carmo.
Desequilíbrio
Pequenos sinais de do seu corpo que deve levar a sério:
- Fadiga sem causa
- Perda ou aumento de peso abrupto
- Sede constante
- Produção excessiva de urina
- Falta de desejo sexual
- Ciclos menstruais irregulares
- Alopécia e seborreia
- Excesso de pêlos no corpo
- Alterações na pele, como acne ou derme ressequida
- Ansiedade
- Insónias
Texto: Fátima Lopes Cardoso com Maria do Céu Santo (ginecologista/obstetra) e Isabel do Carmo (endocrinologista)
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