Mitch Cassel, oftamologista de 64 anos que trabalha no Rockefeller Center, colocou uma máscara esta sexta-feira pela primeira vez, para ir ao banco e comprar comida. "A saúde é um luxo agora", comentou, na fila de um mercado.

Cassel segue as recomendações mais recentes do presidente da cidade, que já regista quase 53 mil casos e 1.584 mortos pelo vírus, mas disse que não entende por que o uso de máscaras e o confinamento ainda não são medidas nacionais.

No início da pandemia, autoridades informaram que o uso de máscaras por quem não estava infetado ou em contacto com pessoas infectadas não era necessário.

Devido à falta delas, havia o medo de que não sobrassem máscaras para as equipas médicas.

No momento em que o país bateu o recorde de mortes diárias, de 1.169, o presidente Donald Trump anunciou que considera declarar obrigatório o uso de máscaras, para impedir que as pessoas infetadas não contagiem as restantes. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, governamental) irá divulgar recomendações nos próximos dias, indicou o vice-presidente americano, Mike Pence.

O presidente americano, Donald Trump, aconselhou esta sexta-feira que todos os americanos usem máscaras ao saírem à rua para conter a disseminação do novo coronavírus.

Trump disse durante uma conferência de imprensa na Casa Branca que os CDC encorajaram as pessoas a usar qualquer cobertura facial, como écharpes, com esta finalidade e manter as máscaras cirúrgicas livres para os profissionais de saúde.

"Vai ser realmente uma coisa voluntária", ressaltou. "Não precisam de o fazer e eu escolho essa opção, mas algumas pessoas podem querer fazê-lo e tudo ok".

'Tudo o que pudermos'

A fotógrafa Jade Albert, 60, passeava hoje com o seu cão no bairro Upper West Side usando uma máscara cinza com válvula para respirar, semelhante à usada pela atriz e empresária Gwyneth Paltrow. Comprou-a no final de fevereiro, antes da confirmação do primeiro caso do novo coronavírus em Nova Iorque.

"É muito confortável, bem mais do que as outras", comenta Jade. Ela concorda com o presidente da câmara Bill de Blasio, que diz que todos devem cobrir o rosto ao sair de casa. "Temos que fazer tudo o que pudermos", assinala a fotógrafa.

"Se quiserem usar cachecóis, podem. Em muitos casos, são melhores, são mais grossos", disse Trump. "Peguem um cachecol ou numa bandana, qualquer coisa que tiverem em casa, e cubram o rosto se forem estar em contacto próximo com pessoas que não são da vossa família", insistiu hoje De Blasio, em entrevista à rede de TV CNN.

Entregue a Deus

Mas nem todos usam máscaras, entre eles o mexicano Vicente, 39, que faz entregas de comida. "Confio em Deus, em que tudo ficará bem. A máscara sufoca-me, não consigo respirar", alegou o funcionário da empresa Relay. "Estou a tomar um comprimido para prevenir o vírus, mas não posso dizer qual."

Muitos americanos estão a fabricar as próprias máscaras de tecido, como em outras partes do mundo. O jornal "New York Times" publicou ontem um tutorial onde explica como produzir uma máscara sem máquina de costura. Alguns leitores chegaram a recomendar um sutiã cortado ao meio.

A nova-iorquina Stacey Lewis contou que uma amiga que perdeu o emprego na indústria da moda está a fabricar máscaras para o prédio onde mora: "Tem uma enfermeira no prédio, então estamos a dar-lhe as máscaras que compramos e usamos as que a minha amiga faz."

O farmacêutico nova-iorquino Fazal Rehman, do Upper East Side, afirmou que "pessoas estão a armazenar máscaras" para as revender a um preço mais elevado. Na próxima semana, espera receber 300 novas máscaras, ao custo de dois dólares cada, e distribuí-las gratuitamente. "Somos a maior potência mundial. Como não estamos preparados para isto?"

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