Em Portugal são diagnosticados por ano cerca de 1.400 casos de cancro do fígado, sendo que 50% são metástases e os restantes 50% cancros primários. A mortalidade é significativa, com um número estimado de 1.372 pessoas por ano, sendo desta forma o 7.º cancro que mais mata em Portugal.

As metástases no fígado mais frequentes são as do cancro do tubo digestivo em especial colorretal, sendo que 70% das pessoas com cancro colorretal desenvolvem metástases hepáticas. Nestes casos, o tratamento cirúrgico é a primeira opção terapêutica, mas muitas vezes não é possível por variados fatores, que vão da dimensão ou localização da doença até à presença de doenças concomitantes, estado geral ou idade do doente. Nestes casos, são necessárias outras opções terapêuticas para se poder tratar o doente com esta patologia, para além da quimioterapia indicada. A ablação é uma alternativa não cirúrgica que permite tratar muitos destes doentes, proporcionando uma alternativa curativa.

Em relação ao tumor primário do fígado, o hepatocarcinoma, é provocado principalmente pelo vírus da hepatite B ou C, pelo abuso do álcool, mas também por fígado gordo. Neste caso, e sempre que possível, a melhor opção terapêutica é o transplante hepático. Contudo, o doente pode não ter condições para o fazer ou o tempo de espera pode ser bastante longo. Desta forma, a ablação per-cutânea é, na maioria dos centros, o tratamento de primeira linha, pois permite tratar o hepatocarcinoma sem ter de recorrer à cirurgia e aumentando a sobrevida após o transplante de fígado.

Como é feita a ablação térmica?

A ablação de tumores é realizada pela Radiologia de Intervenção, uma subespecialidade da Radiologia. A Radiologia de Intervenção é uma das diversas especialidades médicas que tratam a doença oncológica. Deve estar presente nos centros de referência para doenças oncológicas e nas reuniões multidisciplinares de decisão terapêutica para cada doente. Os Radiologistas de Intervenção podem tratar de forma minimamente invasiva estes doentes, enquadrados no plano terapêutico proposto para cada um.

As técnicas da ablação permitem destruir os tumores com base na elevação da temperatura dos tecidos e, por isso, é denominada de ablação térmica.

O procedimento consiste em introduzir uma pequena agulha através da pele até ao fígado e alcançar o tumor. Para isto, é necessário guiar a colocação da agulha com sofisticadas técnicas de radiologia, como a ecografia e/ou a Tomografia Computorizada (TC) ou com fusão de imagens. Uma vez alcançado o nódulo, é feita a destruição do tumor com base na elevação da temperatura.

Desta forma, denomina-se de ablação tumoral percutânea (através da pele e sem recorrer a uma cirurgia de "barriga aberta") dos tumores do fígado, que proporciona uma alternativa válida, precisa e com bons resultados já demonstrados, uma vez que é curativa e não paliativa. Está indicada para tumores com dimensões até 5 cm e até 4 tumores a serem tratados numa sessão.

A fonte térmica que hoje em dia mais se utiliza é a do microondas, já que apresenta tecnologia de ponta, destruindo de forma eficaz o tumor, com resultados similares aos da intervenção cirúrgica. Tem a vantagem de apenas necessitar de sedação e não de anestesia geral para se realizar, de apresentar um custo mais baixo, com um internamento curto, de 24 horas, com benefício para o doente e para as instituições.

Recuperação pós-procedimento

A recuperação após a ablação é mais rápida e com menores efeitos adversos quando comparada com a cirurgia.

Outra vantagem da ablação é o facto de poder ser repetida as vezes que forem necessárias, uma vez que é minimamente invasiva e muito bem tolerada pelos doentes, sem dores nem outras complicações na maioria dos casos.

As explicações são da médica Élia Coimbra, Radiologista de Intervenção do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central – Hospital Curry Cabral.

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