Em declarações à Angop, a responsável aponta o dedo à automedicação com o cytotec, adquirido no mercado informal e farmácias, ou ervas que ultimamente as mulheres, maioritariamente adolescentes e jovens, têm vindo a tomar por influência de familiares ou amigas, para interromper a gravidez.

A chefe do serviço de ginecologia-obstetrícia da maternidade central do Lobito admitiu que a grande maioria dos 280 abortos registados foram provocados, sobretudo a partir dos dois meses de gestação.

Neste momento, frisou, muitas mulheres estão mentalizadas que, sozinhas, podem fazer o aborto em casa, um costume que considera “extremamente perigoso” devido ao risco de vida que correm.

“A nossa população agora está com a mentalidade de querer fazer abortos em casa, tomando comprimindo ou ervas ”, denunciou a fonte, notando que a facilidade na aquisição do cytotec está a contribuir para que mais mulheres façam, sozinhas, abortos induzidos, ignorando todos os riscos.

No caso das adolescentes e jovens, decidem acabar com o feto ingerindo o medicamento conhecido como o cytotec, mas a enfermeira avisa que essas mulheres dão entrada na urgência de ginecologia-obstetrícia com um quadro de hemorragia grave, em risco de morte.

E acrescentou que algumas mulheres chegam mesmo a introduzir os medicamentos pela vagina, o que provoca hemorragias graves. “Fazem já a medicação em casa e quando chegam a maternidade, já [só] ficam só os restos fetais no útero”.

Preocupada com isso, a enfermeira Ernestina Tavares aconselhou às mulheres para que evitem o aborto com automedicação, já que o Hospital Geral do Lobito até tem condições para o acompanhamento pré-natal para um parto seguro.

Planeamento familiar desincentiva mulheres ao aborto

Neste âmbito, a responsável garante que na maternidade pública do Lobito funciona o serviço de planeamento familiar para os casais e, com isso, desincentiva as mulheres a usarem remédios perigosos para abortar.

E reconhece que muitas mulheres já vêm acompanhadas dos seus parceiros ao planeamento familiar. Entre os métodos mais solicitados, estão a pílula, mola e os implantes colocados no braço esquerdo da mulher, para evitar gravidezes indesejadas.

Com capacidade para 104 camas, a maternidade central do município do Lobito, província de Benguela, tem um banco de urgência, salas de pré-parto e parto, bem como de obstetrícia e ginecologia e uma área de internamento.

Ao todo, quatro médicos gineco-obstetras (angolano, cubano e coreanos) e 24 parteiras profissionais, a par de 34 técnicos administrativos, asseguram o normal funcionamento daquela unidade hospitalar, onde os bebés podem ser registados logo ao nascer.

Números avançados à Angop pelo Departamento de Estatística do Hospital Geral do Lobito indicam que, em pouco mais de dez meses, esta maternidade atendeu 11 mil e 35 mulheres no serviço de ginecologia-obstetrícia, mais três mil e 803 face ao período de Janeiro a Outubro de 2017.