Muitos pacientes com transtornos mentais não têm acesso a um bom tratamento, porque os familiares os mantêm isolados, encarcerados e acorrentados em casa sem condições nenhumas.

A maior parte dos casos são tratáveis, porque são questões ligados ao álcool ou drogas, mais por vergonha e medo de discriminação vivem coma doença.

O chefe dos serviços de urgência do hospital psiquiátrico de Luanda, Jaime Sampaio, que falava à Angop alusivo ao dia da saúde mental (10 de Outubro), defende que a boa comunicação é outro aspecto que contribui para um sentimento de respeito e dignidade, pois é fundamental ouvir o doente sem o julgar e dar uma atenção individualizada sem discriminação.

Acrescentou ser premente que a abordagem terapêutica seja centrada no respeito pelos direitos humanos, tendo em consideração um dos princípios da Convenção das Nações Unidas para os direitos das pessoas com incapacidade.

Para si, a sociedade deve trabalhar para ajudar no combate ao estigma e exclusão social, através de iniciativas locais, programas nacionais, legislação específica e educação da comunidade, de forma a permitir modificar a atitude social e melhorar a consciência pública acerca desta doença.

Fez saber que as principais causas de doenças mentais em Angola são o abuso do álcool e das drogas, perturbações emocionais (humor, stress e depressão), esquizofrenia, traumas, conflitos familiares, sociais e laborais que devem ser protelados com acções de sensibilização.

Disse ser insuficiente o número de médicos para atender a demanda, acrescentando que a unidade psiquiátrica conta apenas com 12 médicos no activo para atender cerca de 100 pacientes diários.

Exortou a população a criar condições para não cair em situações drásticas a nível do seu comportamento mental, bem como a moderarem as suas atitudes sociais como o uso excesso de álcool e outras drogas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a saúde mental uma prioridade e defende que a mesma não é estritamente um problema de saúde.

Instituída em 1992 pela Federação Mundial de Saúde Mental, a data (10 de Outubro), visa chamar a atenção pública para a questão da saúde mental global e identificá-la como uma causa comum a todos os povos, ultrapassando barreiras nacionais, culturais, políticas ou socioeconómicas, combatendo o preconceito e o estigma à volta da saúde psicológica.