Segundo os últimos dados, nas três áreas do país afetadas pelo surto, as rurais de Bikoro e Iboko, e a urbana de Mbandaka, foram registados 66 casos, dos quais 38 foram confirmados, 14 são prováveis e 14 suspeitos.

O Ministério da Saúde da RDCongo, juntamente com um conjunto de organizações internacionais, realizam desde há duas semanas uma campanha de vacinação nas três zonas do país afetadas pelo Ébola, totalizando 2.221 imunizados.

A imunização com a vacina rVSV-ZEBOV é um tratamento experimental que foi aprovado na Guiné-Conacri depois da epidemia de 2014 a 2016, sendo a sua participação gratuita e voluntária.

Vacina é o único tratamento experimental autorizado 

A vacina é o único tratamento profilático experimental autorizado até ao momento pelo comité científico e ético da RDCongo, e a sua administração enfrenta atualmente uma série de barreiras.

O transporte das vacinas tem que ser feito por florestas com poucas estradas pavimentadas, correndo também o risco de estas se estragarem com o calor, sendo que os trabalhadores de saúde têm ainda que identificar as pessoas que estiveram em contacto com os doentes, e persuadir a população que desconfia das vacinas administradas por estrangeiros.

O sucesso da estratégia de vacinação depende da rapidez com que os trabalhadores de saúde conseguem identificar as pessoas que se encontram em risco.

"Se os casos forem detetados tardiamente, perde-se a oportunidade de proteger pessoas", afirmou à agência norte-americana Associated Press Iza Ciglenecki, médico que trabalha na campanha de vacinação com os Médicos sem Fronteiras.

Peritos de saúde acreditam que as próximas duas semanas serão críticas para determinar se o surto se encontra sob controlo.

Existem já planos, no próximo ano, para procurar a aprovação da vacina junto da Agência da Segurança Alimentar e de Medicamentos norte-americana (FDA, na sigla em inglês), que pretende analisar futuros efeitos secundários.

"Se for aprovada, então a vacina será a medida principal em cada surto, e poderá ser usada em toda a região", disse à AP o diretor geral do Instituto Nacional para a Pesquisa Biomédica em Kinshasa, Jean-Jacques Muyembe.

Este surto de Ébola, localizado inicialmente nas áreas rurais do noroeste e depois na área de Mbandaka, é o nono que atinge a RDCongo desde que o vírus foi descoberto em 1976 neste país, quando ainda se chamava Zaire.

A doença - que é transmitida por contacto direto com sangue e fluidos – causa hemorragias e tem uma taxa de mortalidade de até 90%.

Os primeiros sintomas são febre súbita e alta, fraqueza intensa e dores musculares, na cabeça e na garganta, além de vómitos.

A pior epidemia de Ébola registada foi declarada em março de 2014, com os primeiros casos a remontar a dezembro de 2013 na Guiné-Conacri, que depois se alastraram à Serra Leoa e Libéria.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou o fim da epidemia em janeiro de 2016, depois de registados mais de 28.500 casos confirmados e 11.300 mortes, embora tenha admitido que o número real possa ser superior.