O anúncio foi feito pelo director dos CDC, John Nkengasong, na sua conta do Twitter, explicando que esta medida, que está prevista numa resolução adoptada em 2015 pelos chefes de Estado e de Governo africanos, é “crítica para controlar o surto de Ébola na África Ocidental”.

Em setembro de 2014, a União Africana começou a recrutar e estabelecer a primeira equipa de voluntários que compreendia mais de 800 médicos, enfermeiras e outros profissionais de saúde da África ocidental para ajudar a controlar a epidemia de Ébola e normalizar os serviços de saúde em países afectados como a Guiné Conacri, Libéria e Serra Leoa.

Posteriormente foi criado, sob a alçada dos CDC, um corpo de voluntários mais duradouro com o objectivo de constituir e equipar um grupo de profissionais médicos e de saúde pública que dessem resposta rápida a emergências sanitárias.

Os CDC são uma instituição técnica da União Africana que permite reforçar a capacidade dos Estados-membros de responder rápida e eficazmente às ameaças de doenças.

O director-geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, declarou, na quarta-feira, o estado de Emergência Internacional na República Democrática do Congo (RDCongo), após uma nova reunião do Comité de Emergência para avaliar a evolução da epidemia do Ébola que já provocou 1.676 mortos.

Hoje, a OMS avisou Angola para dar resposta a eventuais casos de Ébola nas zonas fronteiriças vindos da RDCongo, face à epidemia no país vizinho.

"Temos que estar preparados porque somos um país ao lado da RDCongo e por continuidade junto da emigração das pessoas também devem estar alertas, é necessário prestar atenção para que não se registem casos de contaminação", disse hoje à Lusa, o representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Angola, Hernando Agudelo.

Segundo Hernando Agudelo, o Governo de Angola, que partilha uma extensa fronteira com a RDCongo (a norte), tem já elaborado um Plano Nacional de Contingência onde se identificaram os diferentes pilares de uma resposta eventual ao surto.

Apesar da declaração de Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional (ESPI) na RD Congo, a OMS não recomenda restrições a viagens ou comércio, pois considera que, em vez de travarem o Ébola, poderão dificultar o combate à doença, forçando as pessoas a recorrerem a atravessamentos de fronteira informais e não controlados.

A avaliação da OMS indica ainda que o risco de a epidemia continuar a espalhar-se na RDCongo e na região permanece elevado, mas o risco de se expandir para fora dessa região é baixo.

O Comité de Emergência enfatizou, por outro lado, a importância do "apoio continuado da OMS e outros parceiros nacionais e internacionais" na RDCongo para a "implementação efectiva e monitorização das recomendações da resposta ao Ébola".

Esta foi a quarta reunião deste órgão científico desde que foi declarado o surto, a 01 de Agosto de 2018.

A decisão de quarta-feira foi tomada depois de se confirmar que a doença tinha chegado a Goma, uma cidade com dois milhões de pessoas no leste da RD Congo, e também a mais estratégica de todas as afectadas até agora, pois está localizada a 20 quilómetros da fronteira com o Ruanda, o que aumenta o risco de uma propagação da epidemia.

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