Segundo apurou hoje, quarta-feira, a ANGOP, muitos destes doentes têm de deslocar-se à capital do país para a aplicação das fístulas, que consiste  na construção de um canal que junta uma artéria com uma veia que após algum tempo permita suportar o fluxo de sangue adequado para a diálise.

Para que possam ser submetidos a este processo cirúrgico gratuito, nas unidades públicas, os pacientes têm de enfrentar bastante burocracia e tempo para a sua concretização, dai que muitos doentes têm de recorre às unidades privadas.

Este é o caso da doente Emília Neusa, uma das pacientes actualmente internada no centro de hemodiálise da província, que confirmou que, além dos gastos com as passagens, teve a necessidade de deslocarem-se a Luanda e pagar 300 mil kwanzas para a aplicação da fístula, em clínicas privadas.

Já Agostinho Pascoal referiu que, à semelhança de outros doentes, tem encontrado enormes dificuldades na aquisição do material, pois que para doentes com idade superior a 20 anos, são-lhes aplicados o idealizador F10 ou F100, também conhecido como rim artificial, mas, infelizmente nos últimos tempos, são obrigados a utilizar o F5, apropriados para os menores desta idade, por insuficiência de stock.

Referiu que o centro deixou de aplicar o filtro (idealizador) F10 ou 100 em 2017, altura em que também cessaram a distribuição de medicamentos como Ferro E.V e de aplicar injecções do tipo Eritopoietina e Darbepoietina, limitando-se apenas no filtro F5, uma situação que encareceu mais ainda o tratamento.

Por seu turno, Adriano Kaviqueca, de 17 anos, salientou que, apesar de não encontrar muitas dificuldades, pelo facto de usar o F5 compatível a sua idade, debate-se com a falta de transporte para as desolações da vila municipal do Ecunha à cidade do Huambo, para a realização das diálises três vezes por semana.

Em declarações à ANGOP, a enfermeira-chefe do centro no Huambo e única instituição do género na província, Emília Figueiredo, informou que a apesar de algumas dificuldades a instituição atendeu, entre Janeiro à data presente, 649 pacientes, contra os 658 do igual período de 2018.

Dos 649 doentes atendidos, 106 padecem de insuficiência renal crónica, realçando tratar-se de uma enfermidade que afecta o funcionamento dos rins, provocando múltiplas manifestações clínicas que impedem o funcionamento destes (rins).

Sobre o assunto, o director do Hospital Central do Huambo, Hamilton dos Prazeres Tavares, disse que, apesar de o centro funcionar em instalações da maior unidade hospitalar da província, o mesmo é gerido por uma empresa privada, com contrato mensal de 55 milhões de kwanzas, num prazo de 15 anos, de acordo com um decreto-conjunto datado de 2009 dos ministérios da Saúde e das Finanças.

Informou que, por incapacidade do centro, o hospital central tem apoiado com a realização de exames complementares, diagnóstico e manutenção dos equipamentos.

Explicou que a insuficiência renal tem três formas de tratamento: médico (psicológico, dieta e administração de medicamentos), definitivo (transplante renal) e a substitutivo, este último, que consiste na hemodiálise e diálise peritoneal (para filtrar o sangue e remover os fluidos excedentes, usando um dos filtros naturais de seu próprio corpo, a membrana peritoneal).

Em funcionamento desde 2013, o Centro de Hemodiálise é assegurado por quatro médicos, 18 enfermeiros, um assistente social, um psicólogo e trabalhadores administrativos, e possui com uma capacidade para atender 120 doentes, em três sessões de diálise por semana.

A hemodiálise é um procedimento através do qual uma máquina limpa e filtra a o sangue, através da retirada do organismo de resíduos que são prejudiciais à saúde, como o excesso de sal e de líquidos.

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