É o caso de Lucy Taylor, uma britânica de 42 anos que precisa de medicação, vários despertadores e alguns abanões para acordar. Tem uma doença rara chamada hipersonia idiopática.

A patologia afeta duas em cada 100 mil pessoas e causa sonolência excessiva. "A doença faz com que eu durma por períodos muito longos - esta é a parte da hipersonia", diz Lúcia. "Já o termo idiopática significa apenas que a causa é desconhecida", explica em declarações à radiotelevisão britânica BBC.

"Costumo andar muito cansada durante o dia. O sono não é revigorante e é extremamente difícil levantar-me depois de adormecer", descreve. "O período mais longo que eu dormi foi entre uma tarde de sexta-feira e um domingo", recorda.

Esta britânica toma 12 a 15 doses de medicamentos por dia, apenas para se manter desperta. "Naquele fim de semana não tinha ninguém em casa para me acordar. Cheguei do trabalho na sexta-feira por volta das 17h00, deitei-me, e quando acordei já era domingo à tarde", detalha.

Lucy Taylor
Lucy Taylor sofre de hipersonia idiopática créditos: Arquivo pessoal/DR

Quais são os sintomas da hipersonia?

Sabe-se muito pouco sobre este distúrbio. Os sintomas da hipersonia incluem necessidade de dormitar durante o dia, mas sem sentir-se revigorado nas horas seguintes; adormecer com frequência enquanto se come ou se conversa; dormir durante muito tempo à noite mesmo quando já se dormiu durante o dia.

A doença tem um impacto social e profissional negativo. A sua evolução é frequentemente estável em termos de gravidade, com algumas melhorias espontâneas descritas na literatura médica. As causas são desconhecidas.

Lucy Taylor descreve a sua doença como uma "tortura": "É quase como estar debaixo de água e tentar chegar à superfície. Quero ser deixada sozinha e dormir", exemplifica. "É muito difícil lutar contra a necessidade de dormir, é muito difícil permanecer acordada e ser uma pessoa funcional", reitera.

A mãe de Lucy, Sue Taylor, tem de dormir em casa com filha durante os dias de semana, para lhe dar a medicação e garantir que ela acorda para ir trabalhar.

"É triste ver a Lucy chegar a este ponto. Mas antes desta doença, ela tinha uma vida boa", garante a progenitora.

"Às vezes ela planeia passar tempo com a filha mas não acorda a tempo. É frustrante", diz. "Se eu estiver aqui, consigo acordá-la a tempo para ela fazer algumas atividades com a filha. É maravilhoso, mas sem ajuda ela simplesmente não consegue acordar", diz Sue.