A confecção desses produtos, fundamentais na estratégia de combate à pandemia, é feita por artesãos que adquirem todo material (pano, elástico e linhas) no mercado informal.

A venda de máscaras ganhou espaço na periferia do Lobito e em outras localidades do país, desde que as autoridades confirmaram o primeiro caso positivo de Covid-19, em Março último.

Trata-se, pois, de um negócio não muito rentável, mas suficiente para devolver a esperança a dezenas de famílias carentes, que têm nas máscaras a única fonte de ganha-pão.

Cada máscara facial custa entre 250 e 500 kwanzas, dependendo do estilo, sendo que as lisas e as de cores menos agressivas são as preferidas dos clientes.

É com a venda desses produtos que a artesã Albertina Domingas, 44 anos, desempregada, consegue  alimentar a casa, juntamente com o marido, vigilante numa empresa de segurança privada.

Com essa prática, a profissional de corte e costura, há 12 anos, consegue suprir a falta de salários do parceiro (há quatro meses) e lutar contra a mendicidade.

Albertina Domingas confecciona as máscaras para sustentar sete filhos, confinados em casa, devido ao Estado de Emergência que vigora desde 27 de Março, em todo o país.

Conforme a costureira, a covid-19 retirou o seu nome do anonimato, porque começou a receber muitos pedidos e decidiu embarcar na aventura, à escala nacional, de produzir máscaras de protecção facial de pano, melhorando a renda da família.

"Antes, os clientes pediam para diminuir o tamanho de calças, camisas, saias e blusas", lembra a profissional, que acrescenta: "hoje, a moda é fazer máscaras".

Com o negócio, factura mais de 25 mil kwanzas/mês, depois que começou as vendas.

Fora as avarias da máquina de costura, queixa-se da subida do preço do pano.

Paralelamente, diz que a comercialização das peças é lenta, mas o produto final dá algum dinheiro para comprar comida e confortar o estômago dos filhos.

"Num pano bem cortado saem 20 máscaras", estima, enquanto ajeita a agulha da máquina para acabar uma máscara encomendada por um moto-taxista.

Com a confecção das máscaras, Ermelinda Balombo, 50 anos, também encontrou a fórmula para a familiar escapar da fome, neste tempo de pandemia.

"Trabalho com corte e costura desde 2012, mas nunca apareceram tantos clientes como agora, em que quase todos querem máscaras", narra a costureira e empreendedora.

Em dois dias, a artesã confecciona 20 máscaras, o que lhe rendeu seis mil kwanzas.

"Se a máquina não avaria, posso fazer mais", admite a profissional, que diz ter aprendido sozinha como se faz uma máscara protectora para a Covid-19, ao observar uma convencional em uma farmácia.

"Primeiro vi na farmácia, comprei e tentei, mas não consegui. A segunda também não, mas a terceira vez deu certo", diz a artesã, que até se gaba de conseguir algum dinheiro para aliviar as dificuldades.

Duzentos modelos vendidos

A propósito, o estilista lobitanga Bernardo Luboki, 21 anos, também está a produzir máscaras em casa, no bairro da Caponte, onde mora.

As peças facilitam os cidadãos com dificuldades de encontrar máscaras cirúrgicas nas farmácias do Lobito.

O profissional já comercializou 200 máscaras, ao preço de 500 e 300 kwanzas. Desde que se iniciou nesse negócio, conta, “as encomendas não param”.

Amélia Jolomba é uma das clientes da artesã Ermelinda Balombo e justifica recurso às mascaras caseiras por serem laváveis com água e sabão e reutilizáveis, ao contrário das cirúrgicas - mais indispensáveis aos profissionais da saúde.

Opinião semelhante tem Jaime Kalianguila, moto-taxista, que teria comprado três mascaras de tecido a uma costureira para si e seus filhos, como forma de protecção do vírus da covid-19, enquanto estiver em espaços públicos.

A respeito desse negócio, Carlos Leiria, delegado da Associação Industrial de Angola (AIA) em Benguela, considera normal que a produção de material de biossegurança se tenha tornado uma oportunidade para muitas empresas e pessoas singulares.

Desde o início da pandemia da covid-19, a procura por máscaras cirúrgicas aumentou drasticamente em todo o mundo, o que causou a escassez do material de biossegurança.

Por essa razão, recomendou-se o recurso às máscaras de tecido, que qualquer pessoa pode fazer em casa, com retalhos de tecido, sendo o algodão o mais recomendado.

Face a este fenómeno mundial, na sequência da falta das cirúrgicas e da prevenção da doença provocada pela SARS-CoV-2, as autoridades de Saúde alertam que a máscara de protecção caseira seja de uso individual e tenha constantes cuidados de higiene.

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