Segundo a especialista em medicina interna do Hospital Militar de Luanda, o novo coronavírus evolui três vezes mais rápido em doentes com diabetes do que numa pessoa saudável, porque encontra fragilidades no sistema imunológico do diabético, que integra o grupo de "alto risco".

Manuela Sande que falava à imprensa, a margem do espaço interactivo "Conversa sobre a Covid-19 no CIAM", promovido pela Comissão Multissectorial de Combate ao novo coronavírus, disse que os estudos feitos, até ao momento, revelam que 50 por cento das pessoas que morreram de Covid-19, no mundo, eram diabéticas.

Apesar das mortes afectarem também idosos, Manuela Sande considera os dados estatísticos como um alerta para todos os países, em particular para Angola, por se tratar de uma situação que periga a saúde de muitos cidadãos com diabetes mellitus não controlada.

Perante este quadro, a médica apela, particularmente, às pessoas com diabetes a consultarem o médico e a cumprirem a medicação recomendada, além de ficarem em casa, cumprindo o isolamento e outras medidas de prevenção contra a Covid-19.

Diabetes mellitus é um conjunto de doenças com várias causas e caracterizada pelo aumento dos níveis de açúcar/glicose no sangue (hiperglicemia).

A médica classificou a diabetes em três tipologias, designadamente a diabetes do tipo 1 (mais frequente em crianças), tipo 2 (afecta pessoas entre os 35 e os 40 anos de idade) e a diabete gestacional (que afecta mulheres grávidas).

Dois milhões de angolanos estão diabéticos

A também especialista em bioquímica clínica deu a conhecer que pelo menos dois milhões de angolanos, num universo de 30 milhões de pessoas, são considerados diabéticos, facto que pode afectar a actividade socioeconómica do país.

Baseando-se na taxa de prevalência da diabetes mellitus em países com as mesmas características genéticas e socioeconómicas que Angola, que varia de sete a dez por cento da população, a endocrinologista considera "dramático" e preocupante o número de pessoas afectadas pela doença.

Ao dissertou sobre "Covid-19 e diabetes mellitus", sustentou que o actual quadro torna-se mais "dramático" por afectar a faixa etária mais produtiva do país (45 a 65 anos de idade) e provocar complicações aos pacientes.

"Um diabético não tratado e sem acompanhamento médico periódico torna-se num doente muito complicado, que a qualquer momento pode contrair cegueira, insuficiência renal ou sofrer a amputação de um dos membros do corpo, facto que torna a pessoa ou o trabalhador inactivo", frisou.

Informou que os custos para o tratamento de um diabético ligeiro, ronda os 60 mil kwanzas/mês, um valor muito alto para a realidade económica do angolano, que conta com a subvenção do Estado para custar as despesas.

"O tratamento das diabetee mellitus, se não for comparticipado pelo Estado, é impossível ser suportado, somente, pelo paciente", afirmou.

Fez saber que cada endocrinologista recebe, em média, 40 pacientes por semana, um número que considera "assustador", tendo em conta a complexidade da doença e a existência de apenas 11 especialistas em Angola.

Diante deste cenário, a bioquímica clínica defende a necessidade e urgência da capacitação de médicos de outras especialidades, para responderem a demanda de diabéticos.

Apontou a mudança de hábitos alimentares e de estilo de vida dos angolanos e, consequentemente, a obesidade como as principais causas das diabetes mellitus do tipo 2, a mais frequente em Angola.

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