Em conferência de imprensa realizada esta manhã no Palácio do Governo, na Praia, o ministro Arlindo do Rosário explicou tratar-se de uma cidadã chinesa de 56 anos, residente há cerca de cinco anos na cidade do Mindelo, ilha de São Vicente, que apresentou os primeiros sintomas em 18 de março.

Foi, entretanto, diagnosticada com pneumonia numa clínica privada em São Vicente, deu entrada no Hospital Baptista de Sousa, no dia 27 de março, e ficou em isolamento, face aos sintomas, com as análises a confirmarem o positivo para covid-19 apenas esta sexta-feira, estando a “evoluir bem” até ao momento.

Apesar do tempo que passou desde o internamento até à confirmação laboratorial – devido à suspensão das ligações aéreas entre as ilhas – de que se tratava de um caso de covid-19, o governante afirmou que “não interferiu”, tendo em conta que foi tratado como se o fosse, face às regras sanitárias adotadas.

Contudo, como sublinhou o ministro da Saúde, a mulher e o marido – que não tem sintomas - não viajaram para o exterior de Cabo Verde desde 2019, e a filha regressou em fevereiro da Alemanha, também sem apresentar até agora qualquer sintoma de infeção respiratória. Os dois familiares estão em isolamento.

Apesar de o estudo epidemiológico ainda estar em curso, Arlindo do Rosário admitiu que não se encontre, para este caso, a fonte de infeção, o que representaria a primeira situação de transmissão comunitária em Cabo Verde.

“Se encontrarmos a fonte de infeção, o caso será tratado como de transmissão local. Não podendo encontrar a fonte de infeção, e isso está previsto, estaríamos numa situação de transmissão comunitária”, apontou Arlindo do Rosário.

O governante garantiu que esse cenário “não altera” a estratégia e o plano de contingência do Governo na gestão da pandemia no país.

“Há muito que nós estamos a lidar com a situação como se já estivéssemos numa situação de transmissão comunitária”, aludindo nomeadamente às medidas de isolamento social e de higiene que já foram adotadas e que, apontou, devem ser “reforçadas” pela população.

Cabo Verde cumpre hoje o sétimo dia, de 20 previstos, de estado de emergência para conter a pandemia provocada pelo novo coronavírus, com a população obrigada ao dever geral de recolhimento, com limitações aos movimentos, empresas não essenciais fechadas e todas as ligações interilhas suspensas.

“Não devemos ficar alarmados sempre que aparecer um caso positivo. Nós estamos numa epidemia, irão aparecer mais casos positivos. Poderão ser muitos ou poucos, dependo daquilo que nós fizermos, todos”, enfatizou Arlindo do Rosário.

Os restantes seis casos confirmados de covid-19 em Cabo Verde dividem-se em quatro na ilha da Boa Vista e dois, um casal, na cidade da Praia (ilha de Santiago).

Um dos casos da Boa Vista, um turista inglês de 62 anos, acabou por morrer, e o colega de viagem, também confirmado com covid-19, já regressou ao país de origem.

Também uma turista dos Países Baixos, o terceiro caso naquela ilha, foi transportada para o seu país, inspirando cuidados.

O quarto caso de covid-19 na Boa Vista foi confirmado num trabalhador de dois hotéis que estavam em quarentena.

O arquipélago de Cabo Verde está fechado a voos internacionais, para travar a progressão da pandemia, e com o estado de emergência decretado no domingo foram também suspensos os voos entre ilhas.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 59 mil.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

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