Uma boa parte deles acorre ao banco de urgência levados por familiares devido a casos de agressividade, violência e tentativa de suicídio.

Actualmente, o hospital tem 300 pacientes internados. A procura desses serviços tem sido em idades entre os 15 aos 45 anos e alguns dos factores que predispõem são o álcool e outras drogas.

Segundo o médico psiquiatra do hospital Jaime Sampaio, que falava à Angop em alusão ao dia da saúde mental (10 de Outubro), actualmente os jovens consomem de forma excessiva o álcool e algumas drogas e, consequentemente têm alterações de comportamento, e a maior parte deles é  internada porque apresentam um perigo iminente na comunidade, família e sociedade.

Fez saber que existem também outras situações orgânicas que afectam o indivíduo que podem desencadear problemas psíquicos, sendo a malária cerebral uma das causas desses casos.

Avançou que além dessas, existem também pessoas com quadros epilépticos (doença neurológica) que apresentam convulsões, bem como casos de depressão e ansiedade.

O especialista disse estar preocupado com as mulheres que engravidam precocemente, que passam por uma gestação complicada que conduz a uma depressão pôs-parto, tendo em conta a idade de não conseguir cuidar de um filho que lhe vai ser imposto.

Por semana, três a quatro casos de género são tratadas na unidade sanitária, em pacientes com idades entre os 15 e os 40 anos.

Fez saber que estes pacientes são provenientes de várias províncias, com destaque para Huambo, Huíla, Benguela, Malange, Bengo, Uíge e Zaire.

De acordo com Jaime Sampaio ainda existem muitas famílias que se recusam-se a levar o paciente as unidades hospitalares, preferindo recorrer aos tratamentos tradicionais e igrejas, o que leva a maioria das vezes o doente a piorar o seu problema mental.

Entre as preocupações está o abandono dos doentes durante anos pelos familiares, tendo actualmente um total de 50 pacientes residentes, sendo a estigmatização um dos factores.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a saúde mental uma prioridade e defende que a mesma não é estritamente um problema de saúde.

Instituída em 1992 pela Federação Mundial de Saúde Mental, a data (10 de Outubro), visa chamar a atenção pública para a questão da saúde mental global e identificá-la como uma causa comum a todos os povos, ultrapassando barreiras nacionais, culturais, políticas ou socioeconómicas, combatendo o preconceito e o estigma à volta da saúde psicológica.