Matshidiso Moeti, diretora regional da OMS para África, adiantou que os países africanos têm dedicado, até agora, mais atenção às doenças infecciosas, como pneumonias, doenças respiratórias, HIV/SIDA, malária ou diarreias, os problemas mais prevalentes naquele continente, mas começam a surgir doenças crónicas como a diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e cancro.

“Estas novas doenças estão a emergir com muita força e complicam ainda mais o grave quadro das doenças infecciosas”, declarou a responsável aos jornalistas, à margem do 5.º Congresso Nacional de Doenças Tropicais, que decorre até 12 de abril, no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa.

A responsável da OMS afirmou que tem sido desenvolvido programas para melhorar o acesso aos cuidados de saúde primários, com resultados positivos a nível da prevenção do HIV e da imunização de crianças, que permitiu diminuir a mortalidade infantil, mas salientou que os níveis de vacinação têm estagnado.

Segundo Matshidiso Moeti, tal como tem acontecido nos países ocidentais, já há muitos pais que recusam a vacinação por temerem os efeitos secundários.

A médica identificou o financiamento e a insuficiência de fundos como um dos principais problemas dos sistemas de saúde, mas acrescentou que também é preciso saber como investir os fundos para maximizar o impacto na melhoria da saúde.

Deu como exemplo os hospitais, que “são importantes para ter cuidados especializados”, mas devem ser financiados de forma eficiente para que “não consumam uma fatia desproporcionada dos cuidados de saúde”.

Além disso, para promover a saúde “não basta o trabalho do Governo, também é preciso o envolvimento da comunidade”, salientou a diretora regional da OMS, destacando o papel da educação na promoção de estilos de vida saudáveis.

O abastecimento de água e as redes de saneamento foram outros dos fatores que Matshidiso Moeti considerou importantes para a melhoria da saúde.