A Organização Mundial da Saúde define a Saúde Sexual como sendo um estado de bem estar físico, emocional, mental e social, relacionado com a vivência da sexualidade; não sendo apenas a ausência de doença e/ou de disfunção.

Por sua vez a sexualidade é entendida como um aspeto central do ser humano ao longo da sua vida, que abrange o sexo biológico, a identidade e papel de género, a orientação sexual, o erotismo, a intimidade e a reprodução. A sua abordagem deve pois, incidir na promoção da saúde e na prevenção da doença de acordo com as várias fases de vida de cada pessoa, devendo ser feita de uma forma positiva, livre de juízos de valor e preconceitos.

O Médico de Família, dada a sua abrangência de atuação e longitude de cuidados, constitui um dos interlocutores preferenciais para abordar esta temática. De facto, o Médico de Família ao acompanhar o seu doente nas várias fases de vida, desde o nascimento à morte, segue-o, muitas vezes, em contextos clínicos em que a vivência da sexualidade pode estar alterada e constituir causa ou consequência do motivo que leva o doente à consulta.

A adolescência, as situações de infertilidade /planeamento familiar, a gravidez e o pós-parto, a menopausa, as doenças crónicas, o cancro, o envelhecimento, a viuvez, as situações de deficiência, entre outros, são alguns destes exemplos. Contudo, e apesar da maior medicalização das questões de sexualidade, de acordo com um estudo realizado em Portugal, em 2012, apenas 15% dos Médicos de Família questionavam ativamente os seus utentes. Os principais fatores para não o fazerem eram a falta de experiência/prática, a falta de tempo na consulta, os próprios valores e crenças, o receio de ser mal interpretado por parte do doente, entre outros. 

Os problemas do foro da Saúde Sexual são múltiplos: incluem as disfunções sexuais, os distúrbios de identidade de género e uma panóplia de preocupações, crenças e expectativas intimamente relacionadas com as experiências individuais e com a cultura de cada um.

Relativamente às disfunções sexuais segundo o estudo Episex-PT, na população portuguesa, a prevalência global de disfunção sexual feminina é de 56,4% e a masculina é de cerca de 23,8%. Alguns dos problemas mais frequentemente encontrados são a Disfunção Erétil, Perturbação do Orgasmo Feminino, Perturbação do Desejo Sexual, Dor Genito-Pélvica, interferência de medicamentos, Ejaculação Prematura.

Muitos desses problemas estão relacionados com a presença de patologias crónicas e de fatores de risco cardiovasculares importantes de que é exemplo a Diabetes mellitus, a Hipertensão arterial, a Dislipidemia (colesterol elevado) e o tabagismo, mas também podem estar relacionados com a presença/desenvolvimento de perturbação depressiva e/ou ansiosa, problemas de tiróide, entre outros.

Assim, o Médico de Família, conhecedor do seu doente no seu todo, ou seja, no seu contexto biopsicossociocultural, estará na linha da frente desta abordagem. Importa apenas salvaguardar que uma vez que o médico de família é o médico da família, o dever de segredo médico e de confidencialidade ganha ainda mais relevo.  

Um artigo da médica Andreia Rodrigues Silva, especialista em Medicina Geral e Familiar.

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