1. O que é a psoríase? 

A psoríase é uma doença inflamatória crónica complexa, eminentemente cutânea, caracterizada por áreas bem definidas de pele espessada, rosada ou avermelhada, habitualmente cobertas de escamas ou crostas prateadas. Pode ocorrer inflamação articular – artrite psoriática – em cerca de um terço dos doentes.

2. Qual a incidência da doença?

A psoríase afeta 2 a 4% da população mundial, estimando-se em 300 mil o número de doentes em Portugal. Homens e mulheres são igualmente afectados, ainda que possa haver diferenças entre grupos raciais. Pode iniciar-se em qualquer idade – mesmo na infância – mas tem picos de aparecimento entre os 15-25 anos e os 50-60 anos. Tende a persistir ao longo da vida, com períodos de agravamento e melhoria. É uma doença de base genética sendo possível identificar familiares afectados em cerca de um terço dos casos.

Segundo o Relatório Mundial sobre a Psoríase e Felicidade de 2018, indivíduos com psoríase têm menores índices de felicidade.

3. De que forma a doença tem impacto no dia-a-dia dos doentes e de que forma impacta socialmente?

O impacto da doença é particularmente relevante, superior mesmo ao determinado por outras doenças socialmente significantes como a doença pulmonar obstrutiva crónica, a artrite, a doença oncológica, e toca todas as áreas da vida pessoal e relacional: auto- imagem e auto-estima, sexualidade, sono, vida familiar, actividades laborais e de lazer, hábitos. A repulsa e rejeição sociais de que ainda hoje estes doentes são vítimas resultam das crenças e preconceitos que conotam as doenças da pele com sujidade, impureza, culpa, contagiosidade, moral e condutas desviantes.

A visibilidade das lesões, o seu por vezes carácter hemorrágico, as escamas omnipresentes, o odor característico a creme, a aspereza da pele, o prurido ou dor associados, a inadequação da indumentária no intuito de esconder lesões, são tudo elementos que penalizam e estigmatizam o doente psoriático.

4. A que sinais ou sintomas se deve estar atento?

A psoríase manifesta-se clinicamente como placas (pele espessada) de bordo bem definido, simétricas, eritematosas (rosadas ou avermelhadas) e descamativas. As escamas que se libertam são habitualmente prateadas, o que confere à pele lesada um brilho característico. Quando a descamação é muito intensa, podem formar-se crostas. Toda a superfície cutânea pode ser afetada, mas é mais comum nos cotovelos, joelhos e couro cabeludo. Também as unhas poderão estar envolvidas, com descoloração, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, espessamento e deformação.

Muitas vezes as lesões são pruriginosas, podendo o prurido ser muito intenso nalguns doentes. Em zonas de pele mais seca, podem surgir fissuras e gretas dolorosas. As placas são muito persistentes sem tratamento. Quando resolvem, podem deixar manchas acastanhadas ou mesmo esbranquiçadas que podem durar meses até desaparecer.

Em cerca de 20% dos doentes existe envolvimento articular. A artrite psoriática pode manifestar-se através de dor, desconforto, tumefação ou rigidez nas articulações (sobretudo das mãos, joelhos tornozelos e pés), dor e rigidez matinal da coluna, deformação das articulações e limitação dos movimentos.

5. Tem cura?

A psoríase não é curável, mas existem muitos tratamentos disponíveis para a controlar. A escolha das modalidades terapêuticas depende da gravidade da doença e no impacto na qualidade de vida, no custo e conveniência do tratamento, e na resposta individual ao mesmo. A combinação de terapêuticas está frequentemente indicada.

6. Como se trata?

Existem várias possibilidades terapêuticas:

Terapêutica tópica: A psoríase ligeira é geralmente tratada com agentes que se aplicam sobre a pele. É a primeira linha no tratamento da doença, reduzindo a inflamação local e normalizando a proliferação celular. É muito frequente os doentes gastarem uma parte significativa do seu dia-a-dia na aplicação de hidratantes e medicamentos tópicos. A facilidade de aplicação destes agentes – do ponto de vista cosmético e de comodidade posológica – é fundamental na adesão: pomadas untuosas e de difícil espalhamento prescritas para áreas muito extensas são um convite à não utilização.

Fototerapia: Nos meses de verão, os doentes com psoríase assistem normalmente a uma melhoria da sua doença. A exposição à radiação ultravioleta em cabines apropriadas sob controlo do Dermatologista pode ser recomendada. Ainda que possa ser muito eficaz, é importante discutir os riscos e os benefícios desta opção terapêutica que implica uma deslocação à instituição de saúde 2 a 3 vezes por semana.

Terapêutica sistémica convencional: Na psoríase moderada a grave preconiza-se o tratamento com agentes sistémicos e/ou fototerapia. São medicamentos que se tomam por via oral e actuam em todo o organismo. Têm eficácias variáveis e não são isentos de efeitos adversos.

Biológicos: Os agentes biológicos ou biotecnológicos estão reservados, de uma forma geral, para psoríases resistentes ou com contraindicações às modalidades terapêuticas anteriormente descritas. Os medicamentos biológicos são proteínas provenientes de células vivas cultivadas em laboratório. Em termos de mecanismo de acção, bloqueiam etapas muito específicas do sistema imune, atingindo eficácias muito superiores aos tratamentos clássicos. São administrados por injecção subcutânea ou infusão intravenosa.

7. Que outras doenças estão muitas vezes associadas à psoríase?

Os doentes com psoríase e com artrite psoriática têm maior risco de desenvolverem outras doenças crónicas e vários problemas de saúde, designados por comorbilidades.

Doença cardiovascular: Existem muitos estudos que demonstram a associação da psoríase e da artrite psoriática - principalmente nas formas graves - com a doença cardiovascular. Doentes com psoríases graves têm um risco 58% mais elevado de terem um evento cardíaco major e 43% de um acidente cardiovascular. O tratamento da doença pode reduzir esse risco.

Doença de Crohn: Os doentes com doença psoriática e com doença de Crohn partilham mutações genéticas semelhantes. Pessoas com psoríase e com artrite psoriática têm um maior risco de desenvolverem doença inflamatória intestinal, havendo um estudo que aponta para um aumento na ordem dos 10%.

Depressão: A psoríase pode condicionar um impacto psicossocial considerável, superior ao de outras doenças como a DPOC, a artrite, a doença neoplásica. Pode envolver todas as áreas da vida: autoimagem e autoestima, sexualidade, vida familiar, profissional, lazer.

Síndrome metabólico: Há uma associação muito significativa entre a doença psoriática e o síndrome metabólico – um agrupamento de condições (hipertensão arterial, hiperglicémia, excesso de gordura corporal na cintura, aumento dos níveis séricos de colesterol ou de triglicéridos) que aumentam o risco de doença cardíaca, acidentes vasculares cerebrais e diabetes.

Uveíte: É uma doença inflamatória do olho cujo risco aumenta na doença psoriática. Doença hepática – Trabalhos recentes relacionam a doença psoriática com o aumento do risco de esteatose hepática não alcoólica.

8. Como afeta a qualidade de vida?

O impacto da doença é particularmente relevante, superior mesmo ao determinado por outras doenças socialmente significantes como a doença pulmonar obstrutiva crónica, a artrite, a doença oncológica, e toca todas as áreas da vida pessoal e relacional: auto- imagem e auto-estima, sexualidade, sono, vida familiar, actividades laborais e de lazer, hábitos. A repulsa e rejeição sociais de que ainda hoje estes doentes são vítimas resultam das crenças e preconceitos que conotam as doenças da pele com sujidade, impureza, culpa, contagiosidade, moral e condutas desviantes.

A visibilidade das lesões, o seu por vezes carácter hemorrágico, as escamas omnipresentes, o odor característico a creme, a aspereza da pele, o prurido ou dor associados, a inadequação da indumentária no intuito de esconder lesões, são tudo elementos que penalizam e estigmatizam o doente psoriático.

9. Porque é importante tratar e acompanhar a doença?

Gerir o carácter flutuante, crónico e altamente impactante da doença é muito difícil sem ajuda especializada. Para além disso, ao longo dos anos, podem surgir múltiplas morbilidades e limitações que podem condicionar de forma decisiva o prognóstico dos doentes, não apenas no que toca à sua qualidade de vida, mas também no que concerne o seu próprio prognóstico vital; nos casos mais graves - com uma efectiva redução da esperança de vida.

10. Porque é importante ir ao médico e voltar se não estiver a ser acompanhado?

Gerir o carácter flutuante, crónico e altamente impactante da doença é muito difícil sem ajuda especializada. Para além disso, ao longo dos anos, podem surgir múltiplas morbilidades e limitações que podem condicionar de forma decisiva o prognóstico dos doentes, não apenas no que toca à sua qualidade de vida, mas também no que concerne o seu próprio prognóstico vital; nos casos mais graves - com uma efectiva redução da esperança de vida.

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