É verdade que temos assistido a um boom do veganismo um pouco por todo o mundo, tendo este sido apontado por vários canais de comunicação com uma das tendências do ano 2018. Mas será que compreende realmente o conceito deste estilo de vida que tem ganho cada vez mais adeptos pelo mundo fora?

Sou vegan há quase seis anos. Tenho 31 anos e sou mãe de um bebé com dois. Criei o meu negócio vegan, tenho um blogue onde vou partilhando um pouco deste mundo, escrevi um livro para ajudar quem quer iniciar-se nesta alimentação () e sou verdadeiramente feliz a fazer o que faço. O meu trabalho é também o meu contributo para um mundo mais compassivo, mais saudável e mais ecológico. Pode conhecer um pouco mais da minha história e do motivo que me levou a seguir este caminho aqui.

Neste artigo, procuro explicar-lhe os principais conceitos do veganismo, de uma forma muito simples.

1. Alimentação 100% vegetal

Na alimentação vegan entram alimentos de origem vegetal, como as frutas, os vegetais, as leguminosas, os frutos secos e sementes, as algas, os cereais e os cogumelos. De fora ficam todos os alimentos de origem animal ou derivados de animais, tais como a carne, o peixe, o marisco, os ovos, os lacticínios e o mel. No caso dos produtos processados, devemos ter atenção à origem dos aditivos alimentares utilizados, corantes e aromas de origem animal. A leitura dos rótulos dos alimentos ajuda a perceber se o produto tem algum ingrediente de origem animal. No caso dos aditivos poderá ser mais difícil essa interpretação numa fase inicial, mas uma rápida pesquisa no Google resolve o enigma num instante.

Curiosidade: Sabia que o E120, um dos corantes mais utilizados na indústria alimentar e de cosmética, responsável pela cor vermelha, é obtido através do esmagamento de um insecto? E que o aroma natural de baunilha na grande maioria das vezes é obtido da secreção de castor, o "castóreo”, pois tem um aroma muito semelhante?

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2. Um vegan não veste, não calça nem usa acessórios provenientes de peles de animais

Roupa, calçado ou acessórios com lã, couro, seda, camurça, ossos e marfim não fazem parte do armário de um vegan. Felizmente, temos assistido a uma tendência positiva por parte de muitas marcas nesta indústria, que deixaram de utilizar os animais para criar as suas coleções. Alternativas como o algodão orgânico, o cânhamo, a cortiça, fibra de coco, microfibras biodegradáveis, pneus reciclados, borracha 100% natural, linho orgânico e couro de abacaxi são apenas alguns exemplos de matérias-primas alternativas (e mais sustentáveis) que são já utilizadas um pouco por todo o mundo. A leitura das etiquetas é fundamental para confirmar a composição do produto.

3. Produtos de cosmética, higiene, maquilhagem e limpeza livres de crueldade

Relativamente a este tipo de produtos, um adepto deste estilo de vida procura alternativas que não contenham na sua composição ingredientes de origem animal e que não sejam testadas em animais. Uma vez mais, a leitura dos rótulos é de extrema importância. O selo vegan ou a indicação “apto para veganos” na embalagem é comum já a inúmeros produtos no mercado o que facilita a sua identificação no momento da compra.

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4. Um vegan não vai a touradas, circos, oceanários ou zoológicos

Todas as formas de entretenimento que resultem de práticas de exploração animal são boicotadas por quem segue um estilo de vida vegan. Os santuários são uma excelente alternativa para quem procura o contacto com animais. Embora em Portugal a oferta nesta área seja ainda limitada, existem já alguns projetos de grande valor abertos ao público, como a Quinta das Águias em Paredes de Coura.

5. Direitos dos animais

Este é o pilar do veganismo. Um vegan respeita da mesma forma todos os seres sencientes, ou seja, todos os seres vivos com capacidade de sentir sensações e sentimentos de forma consciente. Incluímos neste grupo o homem e os animais, deixando de fora as plantas, as algas e os fungos, por exemplo.

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Por oposição ao antropocentrismo, que considera que o homem deve permanecer no centro e que todas as outras espécies existem para servi-lo, o veganismo considera que todas as espécies, humanas e não humanas, têm o mesmo direito à vida e merecem ser tratadas com o mesmo respeito. A noção genuína de que não é ético utilizar ou explorar os animais para nosso proveito, é o que move verdadeiramente alguém que adopta este estilo de vida.

Veganismo é um movimento que diz respeito aos direitos dos animais. Por razões éticas, os veganos são contra a exploração dos animais e tudo o que esteja ao seu alcance e que envolva sofrimento ou exploração animal, é retirado da sua rotina diária. O boicote a atividades e produtos que são contra os direitos dos animais é uma das principais ações praticadas por quem adere a este movimento. (fonte: Wikipédia)

 6. O veganismo não é uma dieta

O veganismo é uma filosofia de vida que assenta num regime alimentar ou dieta vegetariana. Por sua vez, o vegetarianismo é um regime alimentar ou dieta que pode estar assente (ou não) numa filosofia de vida vegan.

7. Veganismo, Direitos humanos, Alimentação saudável e Ecologia são diferentes conceitos mas estão relacionados

É frequente associar o veganismo a todas as temáticas enunciadas no título deste último ponto. No entanto, na sua conceção, o veganismo é uma causa que defende os direitos dos animais que não têm voz: os animais não humanos. Os direitos humanos, embora na minha opinião devam também ser defendidos por todos nós, são uma outra causa, assim como a alimentação saudável ou a ecologia. Ao explorar mais este mundo vai descobrir que todos estão relacionados, mas não deixam de ser diferentes conceitos.

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