"Beatle in the box" é como se denomina o projeto de duas fotógrafos italianas, Michela Benaglia e Emanuela Colombo que, em colaboração com um chefe de cozinha e um biólogo, exploram em imagens e na confeção, aquilo que esperam se torne “um novo normal”, ou seja, o de levarmos insetos ao prato. Desta forma, a dupla de criadoras, apresenta-nos uma série de fotografias em que exploram a imagem em grande formato, para depois a emparelharem com o respetivo prato, engendrado pelo cozinheiro. Paralelamente, o biólogo coopera no projeto, aconselhando os insetos que mais se adequarão a um possível (entre muitos outros) futuro da alimentação humana.

A série destaca pratos populares com insetos, desempenhando um papel de protagonista; grilos, gafanhotos, larvas e lagartas, procuram cativar em receitas cuidadas e elegantes, como o gaspacho, a massa tagliatelle, os tacos, entre outras.

As fotógrafas partem de uma premissa para este seu trabalho, como podemos ler na página que acompanha a exposição das fotografias: “Em 2050, seremos mais de nove mil milhões de pessoas. Viveremos num planeta com recursos cada vez mais escassos, menos disponibilidade de terra arável, água poluída, desflorestação causada pelo pastoreio intensivo. Como lidar com essa situação?”

As promotoras de "Beatle in the box" apontam-nos o caminho: “Os insetos são uma das respostas prováveis entre especialistas em alimentação e nutrição de todo o mundo. Mais de dois mil milhões de pessoas já recorrem aos insetos para fins alimentares e as espécies comestíveis no mercado são mais de 1.900".

Seria capaz de comer este inseto? Duas fotógrafas italianas acreditam que sim
Mousse de chocolate com biscoitos amaretto e escorpião. créditos: Michela Benaglia

Prossegue a dupla de fotógrafas: “Até ao momento, a Europa não autorizou a comercialização de insetos, mas, nos últimos meses, algo mudou. A partir de 2018 uma nova lei sobre novos alimentos entrará em vigor, facilitando a venda e o fornecimento de insetos na União Europeia, colocando todos os Estados-Membros em pé de igualdade com a Holanda e a Bélgica, onde os produtos à base de insetos já estão à venda, há muito tempo, nos supermercados”.

“Os insetos são extremamente ricos em proteínas, vitaminas, carboidratos, ácidos graxos ômega-3, cálcio, ferro e outros micronutrientes, além de se encontrarem entre os alimentos com baixo impacto ambiental. Graças ao tamanho e ao índice de conversão de biomassa (muito superior ao dos animais de grande porte), eles produzem muito menos excrementos e, consequentemente, poluem menos, com menos contributo para os gases de efeito estufa. Este é um problema extremamente importante, especialmente quando se trata de pecuária intensiva. Além disso, os insetos podem ser criados usando muito poucos recursos em termos de espaço, comida, água e também energia”, concluem

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