Há oito anos, o governo chinês sentiu-se obrigado a sair em defesa de um dos seus pratos tradicionais. Quando o site norte-americano CNNGo elegeu o Ovo Centenário como o “prato mais nojento do mundo”, as autoridades repudiaram o comentário, vendo-o como “um desprezo à nossa cultura”. Uma reação que encontrou apoio na opinião pública chinesa e que levou o editor da página norte-americana a pedir publicamente desculpas.

Na realidade, o ovo não tem cem anos, mas na aparência bem o podíamos crer como espólio de um antigo túmulo de um império asiático caído. Ao olharmos para este Ovo Centenário, ou Ovo Milenar, qual fóssil alimentar, não evitamos uma primeira expressão de repulsa. Tem um aspeto gelatinoso (é-o), de clara translucida, quase negra; gema viscosa, variando nas tonalidades entre um verde escuro e o negro.

Tem nome este Ovo Milenar. Na China (também é consumido no Laos e na Tailândia, entre outros países do Sueste Asiático) chamam-lhe Pidan e é tido e apreciado como uma iguaria de apuro antigo.

Quem não lhe dispensa as características gourmet louva-lhe o sabor a queijo Camembert, cremoso, de odor a amónia. Ao degustá-lo não iremos encontrar sabor na clara. É na gema que se dá a explosão no palato. É descrita como “a concentração do sabor de cinco gemas de ovo cozido num único exemplar”.

Uma delicatessen que exige bons ovos de pata, gansa ou galinha e que assenta a técnica de produção milenar. Os ovos são mantidos numa mistura de argila, cinzas, sal, cal e amido de arroz, enterrada várias semanas, podendo chegar a meses ou anos.  Tradicionalmente, a mistura alcalina cozinha o ovo lentamente, sem qualquer adição de produtos industriais.

Nas mesas asiáticas, o Pidan surge sob diferentes apresentações:  Fatiado, a acompanhar tofu, servido como um “queijo” aveludado ou forte, ou mesmo moído como recheio de outros pratos.

Ovos que, na China, são comercializados, prontos para o consumo, cobertos com argila.

A origem da produção destes ovos, tal como outros alimentos, mergulha em relatos que fazem síntese entre a história e a lenda.  Conta-se que o Pidan terá nascido na China, no decorrer da Dinastia Ming, entre os séculos XIV e XV, quando um camponês descobriu alguns ovos numa mistura de cal e argila. Arrojou ingeri-los e, mais tarde, iniciou o processo de recriação da especialidade.

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