Hoje em dia comer pão de qualidade pode ser um desafio. Já experimentou olhar para a lista de ingredientes do pão que come? Faça esse favor. Muitos dos nomes não deve conhecer, entre melhorantes, emulsionantes ou intensificadores de sabor. Estes aditivos servem apenas para fazer render a quantidade de pão e para dar sabor a farinhas de má qualidade. O pão da avó é simples, não precisa de melhorantes e intensificantes de sabor, concorda?
O processo de fermentação do pão é crucial. A fermentação natural é a melhor opção de todas, pois desenvolve as enzimas inerentes ao seu crescimento e adiciona vitaminas durante o processo -especialmente as do complexo B (a tão falada B12, por exemplo) -.
Além do referido, é importante, pois permite a “pré-digestão”, ou seja, o processo de fermentação faz com que alguns nutrientes - como o glúten ou a lactose - se comecem a decompor mesmo antes de terem entrado no nosso organismo.
Assim, permite que quando comemos o pão de fermentação natural a sua digestão seja muito mais fácil, evitando os sintomas de enfartamento e inchaço.
A fermentação é, assim, amiga de quem é intolerante ao glúten, pois este processo inicia e acelera o processo de decomposição destas proteínas insolúveis. Por experiência própria, mesmo que tenha farinha com glúten o processo de digestão é muito tranquilo (claro está que falamos de farinha de boa qualidade).
O nosso amigo pão integral
O pão integral e feito com fermento natural é, tendencialmente, mais ácido pelo sabor da fermentação. No entanto, é muito mais nutritivo e saciante. Não precisamos de comer três ou quatro fatias para ficarmos satisfeitos. A farinha integral é mais interessante porque tem preservado o valor nutricional do cereal, embora a farinha branca dê ao pão um toque mais fofo.
No que diz respeito aos tipos de fermento, temos a massa mãe (feita apenas através da mistura de água e farinha durante alguns dias) e o fermento “de compra”.
Se optar pelo fermento de compra, que seja sempre biológico, para garantir que não estamos a adicionar compostos químicos ao nosso pão natural. Isto, para além de que o processo de crescimento e desenvolvimento do pão é totalmente distinto quando reage a compostos químicos.
A ciência da fermentação natural
O truque? Paciência no processo de fermentação. Aprendi que o pão tem vontade própria quando optamos pela fermentação natural com massa mãe, cresce ao seu ritmo. Regra geral deixo-o a fermentar de um dia para o outro e é fabuloso ver como cresce e se desenvolve.
Uma referência, para verificar o processo de crescimento do pão, é ver quando atingi o dobro do volume. Se utiliza fermento biológico, o processo de fermentação precisa de, pelo menos, duas horas.
Se optar por fazer o seu próprio pão terá inúmeras vantagens, entre as quais:
- Saber exatamente o que está a comer, privilegiando farinhas de qualidade;
- Processo de digestão mais fácil e equilibrado;
- Preço por porção mais baixo, quando falamos de pão sem glúten ou farinhas integrais;
- Cheiro a pão quente que fica em casa!;
Partilho uma receita de Pão de Trigo e Espelta. Esta é uma receita base, sendo que pode (e deve) experimentar e combinar vários tipos de farinhas. Basicamente, dê largas à imaginação e ao gosto.
Vamos a isso?
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