O que para muitos de nós não passa de desperdício alimentar, como o caroço (na realidade é a semente) do abacate, a artista irlandesa Jan Campblell vê uma forma de expressar a sua arte.

Em 2014, a criadora iniciou uma série de trabalhos inspirados no folclore Celta, mais concretamente com divindades associadas à mitologia do Norte da Europa. Como base para a sua escultura, Jan utilizou o desperdício de um fruto exótico, o abacate, detentor de uma semente lenhosa, rica em fibra.

Partindo desta base, Campbell esculpiu até ao momento centenas de pequenas figuras utilizando ferramentas aptas a pequenos trabalhos de entalhe. A natureza fibrosa do caroço do abacate permite uma abordagem minuciosa a cada peça.

Na página onde divulga o seu trabalho, Jan diz-se uma adoradora da natureza e de toda a herança cultural do seu país natal, a Irlanda. A artista autodidata que vive no Condado de Mayo, no oeste do país, revela-nos a história atrás da sua descoberta escultórica.

Certo dia, após incluir um abacate na sua refeição, Jan Campbell reparou na beleza do caroço do fruto. Não o lançou para compostagem, antes guardou-o no bolso do casaco. Dias mais tarde, já seco o caroço, a irlandesa percebeu que a sua superfície estava riscada, provavelmente por ação da fricção das chaves do carro. Jan viu, então, naquele material o potencial de expressar a sua arte. Reuniu um conjunto arcaico de ferramentas de artesanato e iniciou o seu passatempo.

Nos trabalhos da artesã vamos encontrar a representação de entidades como Diarmuid, um Druida; Bran, um gigante Celta; Macha, guardiã da floresta; Síofra, uma divindade, entre muitos outros entes.