Rose Palhares falava aos jornalistas sexta-feira à noite no espaço da antiga e degradada "Sorefame", na ilha de Luanda, depois de apresentar a sua versão sobre a mais recente tendência de moda africana para a temporada 2019/2020, e defendeu ter há muito chegado a hora de os homens terem maior respeito pelas mulheres em Angola, em África e no mundo.

"[A sociedade em Angola] é machista, de uma forma cultural. Acredito que, enquanto houver ‘sobas’, vai haver sempre uma sociedade em que o homem tem a palavra final. Não vamos dizer que é certo ou errado, mas temos de acompanhar a evolução do mundo e as nossas necessidades", sublinhou.

"Acredito que estamos numa sociedade [angolana e africana) que é muito machista, mas já temos mulheres muitos feministas e todos os passos servem para ser respeitados e o nosso tem de ser respeitado. Estamos prontas para enfrentar o mundo e num mundo machista, e não é só em África - o mundo está muito machista -, não acredito que seja só por falta de educação, mas sim por insegurança. Mas as mulheres estão cada vez mais fortes, mais cultas, mais preparadas", sustentou.

Ainda sobre o caso particular de Angola, Rose Palhares, conhecida como "a princesa da moda angolana", "considerou que a mulher em Angola "começa a ganhar muito mais espaço", "nem sempre dado com facilidade".

"Acredito que não tenha de ser assim. Estamos num país em que é muito difícil a mulher ter uma voz independente. Culturalmente, estamos habituadas a estar sempre atrás de um pai de família, de um marido, de um ‘soba’, seja o que for. Mas estamos em mudança e, por isso, tanto conflito, porque toda a mudança gera um certo conflito", sublinhou.

Para Rose Palhares, Angola precisa de "uma grande mulher" para mudar a situação e "arrumar a casa".

"Não fomos nós que desarrumámos a casa e não fomos nós que deixámos o país do jeito que está. Acho que está na altura de pedir ajuda às mulheres, de uma forma geral. Em casa, as mulheres reais que estavam ali [no desfile] é que comandam tudo. Portanto, vejo o país exactamente da mesma forma", referiu.

Intitulado "Solo by Rose Palhares", o desfile, que terminou de madrugada, contou com a participação de cerca de duas dezenas de modelos profissionais e amadoras que apresentaram a visão da renomada estilista angolana para a nova temporada da roupa africana, com cores vivas e maior preponderância para o dourado, verde, azul e branco.

Durante o evento, Rose Palhares afirmou que a moda africana é "rica" e que "ainda tem muito por explorar", salientando que, em Angola, "o importante é começar".

Rose Palhares, que reside actualmente em Portugal, começou a dar os primeiros passos na moda no Brasil e já foi distinguida com variadíssimos prémios nos continentes europeu, africano e americano, tendo participado, como estilista em vários e importantes certames internacionais.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.