Quando um filho adolescente nos diz que quer estudar fora existe um misto entre orgulho e medo. Orgulho pela decisão, pela capacidade de emancipação, pela coragem do desafio que virá. O medo, bem este é aquele que acompanha a maternidade no geral.

Quero muito que o Gonçalo viva novas experiências. Quero que saia da zona de conforto, que ganhe o mundo, que encontre a sua essência em novas amizades. É uma conquista gigante a nível pessoal. E tenho absoluta consciência da mais valia que pode significar em termos profissionais.

Aqui termina a parte teoria e vem a parte prática. O que fazer é como fazer? Ao longo da vida fui aprendendo (felizmente) que é importante pedir ajuda. E, nisto das angústias de mãe, nada como encontrar quem saiba muito mais do que eu.

Este ano, depois de saber o desejo do Gonçalo, falei com outras mães, usei o amigo Google, dormi bastante sobre o assunto, li muito e marquei uma reunião na OK Estudante, uma agência especializada no Reino Unido que dá suporte aos miúdos durante todo o processo de candidatura para a universidade.

Visto há distância de uns meses consigo rir-me daquela primeira reunião. A Inês e a Ana (respectivamente Student Adviser e Applications Officer no processo do Gonçalo) curaram-me todas as ansiedades. Alguém tem que ser mãe desta mãe num processo como este.

Processo de candidatura, exames, financiamento, alojamento, ajudaram-me em todas as questões importantes. Mas também nos outros pormenores ("pormaiores" para quem deixa um filho ir). Há médico? Há supermercado? Como procura um part time? Como fazemos no dia em que ele estiver cheio de saudades?

Confesso (e podem gozar à vontade) que não perco um episódio do Dr. Phill. Hoje ele perguntava a uma mãe: "fez isso para a sua filha se sentir bem ou para você se sentir bem?" Deixar crescer dói, obriga-nos a sair da zona de conforto, mas é para isso que somos pais e eles são filhos. Somos a rede. Eles saltam.

Um artigo de Catarina Beato, autora do blog “Dias de uma Princesa”.

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