Há pais que levam os filhos ao supermercado para devolverem o artigo sonegado e outros que se dirigem logo à polícia. Entre métodos mais ou menos radicais, o que devemos fazer quando apanhamos a nossa criança com objetos que não lhe pertencem e foram deliberadamente retirados de algum lugar?

Primeiro que tudo: é preciso olhar para a idade do miúdo. “Roubar é normal numa criança de 5 ou 6 anos, pois encontra-se num processo de tomada de consciência mas ainda lhe custa controlar os impulsos e, quando vê algo que quer muito, pode resvalar”, explicou Meri Wallace, terapeuta de família e diretora do Centro de Estudos para o Desenvolvimento de Adultos e Crianças de Brooklyn, ao Parents.com. “Do ponto de vista intelectual já conheçam as regras, mas ainda não as interiorizaram”.

Gil Noam, psicólogo e professor da Harvard Graduate School of Education, vai mais longe: “Crianças com 5 e 6 anos estão a superar o mito de que os adultos conseguem ler os seus pensamentos e a explorar a ideia de que há segredos que podem guardar só para eles. Um miúdo de 3 anos pode levar um brinquedo da casa de um primo sem pensar duas vezes, mas se tiver 5 ou 6 anos já faz algum tipo de planeamento”. O especialista fala em “antecipação, procura de um esconderijo e justificação para ter um novo objeto em casa.”

A tentativa de se equiparar ao grupo pode ser outra justificação para o roubo. “Eles veem o que outras crianças têm e sentem-se mal se não possuírem o mesmo”, diz Meri Wallace, que escreveu Birth Order Blues, um manual para o desenvolvimento emocional. “Crianças de 5 e 6 anos são influenciadas por anúncios que vendem os brinquedos mais incríveis. Ora, roubá-los pode parecer-lhes uma maneira fácil de ser um miúdo fixe”.

Compreender o ato da criança não implica minimizá-lo. Deixe claro ao seu filho que roubar é errado. E se o apanhar com algo que não lhe pertence e ele teimar em persistir na mentira, seja firme, mas procure entender os motivos que o levaram a fazer tal coisa. Posteriormente, arranje uma forma de reparar o sucedido, por exemplo deslocando-se com ele a casa do amigo para devolver o objeto roubado.

“As crianças são motivadas por emoções e, por isso, é útil descobrir o que o seu filho sentiu ao roubar alguma coisa”, observa Joyce E. Divinyi, psicoterapeuta e autora do livro Good Kids, Difficult Behavior.

Também é importante ajudar a criança a lidar com os seus futuros impulsos. Por exemplo? Perguntando porque é que ela não manifestou o desejo de ter determinado brinquedo ou explicando que, se juntar dinheiro, talvez possa vir a tê-lo no futuro.

Por fim, tenha paciência porque este tipo de comportamento pode não acabar de um dia para o outro. “Desejar coisas que pertencem a outras pessoas é algo com que todos temos de lidar ao longo da vida”, diz Gil Noam. No entanto, para a maioria das crianças, optar pelo roubo é “uma fase passageira”.

Perante este ato pouco nobre, o adulto deve aproveitar para dar o exemplo na forma de uma lição que fique para a vida. “Olhe para o roubo da criança como uma oportunidade para lhe ensinar o que é certo e o que é errado, conceitos com os quais ela está a lidar”, aconselha Gil Noam, que deixa estes conselhos preciosos para pais e mães na altura de confrontarem os mini ladrões ocasionais com os seus pequenos delitos…

Dicas

  • Seja pragmático: “Não se pode ficar com algo que não nos pertence. Vais ter de devolver e pedir desculpa ao dono”.
  • Não compare a criança a um irmão: “O teu irmão nunca roubou”.
  • Reforce os valores da família de forma positiva: “Roubar não é coisa que se faça cá em casa”.

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